Mapeamento de educadores inovadores e série sobre formação de professores são apresentados pelo Porvir

13/10/15 //

 Em Paripiranga, interior da Bahia, o professor José Souza dos Santos propôs aos alunos um diálogo teatral entre o poema de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, e a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos. A encenação foi essencial para trabalhar a oralidade. No município de Marataízes, litoral sul do Espírito Santo, a professora Marlúcia da Silva Souza Brandão levou o funk para o banco dos réus. Um júri popular, no chamado “debate regrado”, avaliou a possível culpa do estilo musical; ao mesmo tempo, alunos compilaram argumentos para escrever um artigo, que posteriormente foi publicado em um blog. Em Londrina, no Paraná, o professor de Física, Eduardo Toshio Nagao, desenvolveu um projeto para ensinar conceitos de velocidade média e leis de Newton via jogo de boliche.

Débora Machry, professora de Ciências no município de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, usa o WhatsApp para incentivar a leitura. Não somente as crianças são o público-alvo de professores interessados em ensinar de maneira diferente; em Porto Alegre, o resgate de memórias mudou o uso de tecnologia na Educação de Jovens e Adultos (EJA). No Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, os professores de música, teatro e cultura digital criaram projetos colaborativos com avatares, de acordo com o relato da professora Clevi Elena Rapkiewicz. Ana Angélica Santos, professora em Diamantina, Minas Gerais, faz pizza e bolo, em plena sala de aula, para explicar conceitos matemáticos como medida, proporção, fração, soma, subtração, multiplicação e divisão. O projeto Cantos Distantes – desenvolvido em Brasília pela professora Maria Verúcia de Souza – incentiva os alunos a escreverem cartas para Cabo Verde; a iniciativa aposta em trocas culturais e gênero textual antigo para desenvolver habilidades de leitura e escrita.

Crédito: Kenishirotie / Fotolia.com

Crédito: Kenishirotie / Fotolia.com

Essas são algumas das quase 50 histórias inspiradoras relatadas, em primeira pessoa, no Diário de Inovações – iniciativa do portal Porvir, programa do Instituto Inspirare. Na quinta-feira, 15 de outubro, o mapeamento de professores inovadores comemora um ano, exatamente no Dia dos Professores. Segundo Tatiana Klix, editora do Porvir, a ideia da seção partiu da proposta de criar um espaço para que  os próprios professores, a partir de relatos cotidianos, compartilhassem experiências e informações sobre como estão inovando e sendo criativos em suas práticas. “O reconhecimento de práticas inovadoras e criativas nas escolas pode inspirar outros professores”, afirma.

Para participar do Diário de Inovações, professores podem enviar seus depoimentos através do link: http://porvir.org/compartilhe-sua-experiencia-inovadora/ .

Série Formação de Professores

Um outro tema que será destaque no Porvir, com lançamento em 15 de outubro, será a série sobre Formação de Professores. A equipe do portal – uma agência de notícias gratuita, que produz e difunde conteúdo jornalístico sobre inovações em educação – foi a campo para produzir um mapeamento detalhado do tema. A série Formação de Professores vai mostrar desafios, além de relatar como os novos profissionais podem e devem ser formados para exercer um novo papel, de mediadores e designers do aprendizado dos alunos.

Na primeira matéria, Contexto e principais desafios, a série especial traz o perfil de quem escolheu ser professor e quais são os principais desafios encontrados na formação inicial: integração entre teoria e prática, metodologias, tecnologia e avaliação. Vai abordar, também, as diferenças e semelhanças entre os desafios brasileiros e os de outros países. As metas do Plano Nacional de Educação (PNE), a consulta pública da Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica e Novas Diretrizes Curriculares também serão matéria-prima da primeira reportagem do especial.  A segunda matéria, que aborda a necessidade de integrar a teoria e a prática nos cursos que formam professores, traz experiências  de universidades que estão conseguindo fazer isso. Entre os exemplos nacionais: residência pedagógica do Instituto Singularidades; na PUC-SP, o curso de matemática com estudos sobre sequências didáticas que integram teoria estudada com experiências realizadas nas redes; e na Unesp, na licenciatura em Geografia, a criação do grupo que promove trocas entre universitários e professores. O foco do material é a formação inicial.

A terceira matéria aborda como formar professores para o uso da tecnologia e como uso dela está inserido na própria formação dos professores. Em Novas Metodologias, quarta matéria, serão mostradas experiências brasileiras e no exterior de inovações para preparar educadores, que depois poderão replicar novos métodos com seus alunos. A série ainda vai trazer um relato no Diário de Inovações, de um aluno do Singularidades, na Residência Pedagógica. A importância de incluir o tema Neurociência na formação inicial de professores e projetos que trabalham conceitos básicos da temática dão o tom da quinta matéria. Em Avaliação, sexta reportagem, o foco recai sobre como avaliar professores recém-formados e qual seria o modelo de avaliação ideal. Em debate, como fazer com que a avaliação não se torne um mecanismo de punição, mas uma forma de auxiliar o professor. A Base Nacional Comum Curricular e o impacto dela na formação de professores permeia a temática da sétima matéria.

A série contará ainda com artigos opinativos que agregarão outros temas ao debate, como o questionamento sobre o número de  professores formados, quantos efetivamente vão para a sala de aula e qual é a demanda por docentes.

A íntegra dos conteúdos está disponível para a reprodução livre e gratuita pela imprensa, por meio da licença mais aberta do Creative Commons.

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