A sala de aula ganhou asas, rompeu o muro, ocupou a praça

04/10/15 //

Mais de 400 crianças e adolescentes de nove escolas e centros de educação do Rio Vermelho provaram que é possível aprender em outros espaços e com outras pessoas na manhã da última sexta, 23.

Em sua terceira edição, o Festival Bairro-Escola Rio Vermelho teve a programação, produção e comunicação geridas de maneira compartilhada através de grupos de trabalho formados por representante das escolas e do bairro. A Praça Pau Brasil esteve repleta de apresentações, exposições, contações de histórias, rodas de conversas, jogos, oficinas e brincadeiras.

“Eu acho uma iniciativa maravilhosa porque está dando possibilidade às crianças, às escolas públicas de terem um novo horizonte de educação”, comentou Lúcia Menezes, moradora há 50 anos do bairro e integrante da comissão gestora do Bairro-Escola Rio Vermelho.

Crédito: Agência Bairro-Escola Rio Vermelho

Crédito: Agência Bairro-Escola Rio Vermelho 

Na sombra das árvores

Apesar da breve chuva que caiu no início da manhã, a amendoeira da praça ficou cheia de crianças lendo e ouvindo histórias com Raissa Martins, do Livres Livros, e Josiene Borges, da APADA – Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos.

As cascas usadas no piquenique, debaixo da árvore, serviram de matéria prima para a oficina de compostagem com Betina Bona, da Terra Viva, que levou composteiras cheias de minhocas que empolgaram os mais novos. “Todos os resíduos de tudo que a gente come, as folhas, as frutas, isso tudo não é lixo. A gente pode transformar em adubo, ao invés de poluir o rio, poluir o meio ambiente”, explicou Betina.

Na mesma árvore aconteceram duas exposições: Cortinas Sensoriais, produzidas por estudantes da Escola Municipal Osvaldo Cruz, e fotos feitas durante a formação de liderança e comunicação do Colégio Estadual Alfredo Magalhães.

Diversos professores e parceiros do Bairro-Escola fizeram oficinas à sombra de outras árvores da praça. A professora de inglês do Colégio Estadual Manoel Devoto, Maria Vitória, fez uma oficina de marcadores de textos em inglês para os livros da minibiblioteca da praça. O professor de linguagens artísticas do Colégio Estadual Alfredo Magalhães, Jayme Ribeiro, pintou o muro com estudantes do 8º e 9º ano como culminância de um projeto sobre pichações e grafite.

Vitória Santiago, parceira do Ateliê M´Artes, fez com os estudantes chaveiros personalizados. O Centro de Arte Mário Gusmão fez uma oficina de Kirigami, arte japonesa de recorte de papel. O movimento Rio Vermelho em Ação, de moradores do bairro, realizou uma oficina de percussão seguida de conversa sobre a cidade com os estudantes. A paróquia de Santana também esteve presente levando produtos feitos nas oficinas da igreja.

Crédito: Agência Bairro-Escola Rio Vermelho

Crédito: Agência Bairro-Escola Rio Vermelho

Aprender brincando

Ao lado da cruz que existe na praça, foi criado um espaço dedicado às ciências e tecnologia. O Centro Avançado de Ciência do Colégio Alfredo Magalhães levou dois jogos: Pescando Bactérias e Batalha do Coração, produzidos pelos estudantes e premiados no 5° Encontro de Jovens Cientistas.

Um grupo de estudantes da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA) apresentou dois protótipos produzidos pelos estudantes, o de um carro e outro de uma asa do Aero-UFBA, um avião que ganhou prêmios em competições de engenharia aeronáutica.

Por toda a praça jogos e brincadeiras tradicionais chamaram a atenção de estudantes. “Utilizo materiais reciclados e transformo em brinquedos, seja ele perna-de-lata, perna-de-pau. Aqui no Festival temos uma mesa de ping pong feita de tábuas que achei no lixo”, explicou o arte educador Carlos de Jesus, que levou jogos de tabuleiros e ensinou as crianças a fazerem barangandão.

Os sussurradores do Colégio Estadual Euricles de Matos, com a professora Eliete Barreto, fizeram na praça customizações de canudos usados para declamar poesias ao pé do ouvido.

O Rio Vermelho em Ação, grupo de moradores do bairro, fez uma oficina de batucada com estudantes de diversos colégios e construíram um mapa colaborativo indicando a localização da moradia dos alunos. O grupo Palhaços do Rio Vermelho fez pinturas artísticas nos estudantes.

O evento teve cobertura de comunicação feita pelos líderes do Euricles de Matos. Eles utilizarão este exercício para criar seus próprios produtos de comunicação.

Crédito: Agência Bairro-Escola Rio Vermelho

Crédito: Agência Bairro-Escola Rio Vermelho

A cantora Cyda Lyyma e Raiza Santos, estudante do Colégio Estadual Dionísio Cerqueira, fizeram as honras da casa como mestres de cerimônia. Juntas com um coral de estudantes do Colégio Estadual Alfredo Magalhães, cantaram a música do Bairro-Escola Rio Vermelho, composta por Cyda.

Ginástica, capoeira, caratê, maculelê, músicas de composição próprias, coral, orquestra de flauta, danças e poesias foram apresentadas pelos estudantes dos Colégios Estaduais Euricles de Matos, Alfredo Magalhães, Dionísio Cerqueira e Cupertino de Lacerda, da Escola Municipal Ana Nery, da Hora da Criança e da Escola Cresça e Apareça.

O Centro de Zoonoses apresentou também uma esquete chamada Xô Xô Dengue, sobre a prevenção das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti. Na ocasião, a chef Tereza Paim contou a experiência do prêmio Aluno Destaque Rio Vermelho, criado por empresários do bairro, que irá premiar estudantes com os melhores desempenhos na Escola Municipal Osvaldo Cruz e Colégios Alfredo Magalhães e Euricles de Matos.

Fotos das oficinas de fotografia ministradas pelos educadores da Oi Kabum! Para os professores do Alfredo Magalhães foram exibidas na praça, assim como o processo da oficina Memórias de Mim, ministrada por Bruno Furtado com estudantes do EJA do Dionísio Cerqueira.

Lazzo Matumbi, o rei dos Palhaços do Rio Vermelho, encerrou o Festival com uma roda de conversa sobre diversidade e preconceito, seguido da Orquestra Filarmônica Maestro Agenor Gomes, da Hora da Criança.

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