Ebook apresenta relatos de professores finalistas do Desafio Diário de Inovações

16/10/17 //

Para celebrar a semana do professor, Porvir e IBFE (Instituto Brasileiro de Formação de Educadores) lançam nesta segunda-feira, 16, o ebook com os relatos destaques do Desafio Diário de Inovações. O livro, que contém relatos de dezesseis professores de várias partes do país, já está disponível para leitura online e para download em pdf neste link. Foram selecionados três destaques de cada uma das seis categorias do desafio. Os professores de ensino fundamental José Souza dos Santos e Paulo Roberto Barreto preferiram não ter os seus relatos publicados.

Foto: Liciane Lourenço

Foto: Liciane Lourenço

O Desafio Diário de Inovações foi promovido pela primeira vez este ano com o objetivo de entender o que profissionais da educação estão fazendo para transformar suas práticas pedagógicas e tornar a experiência educacional de crianças, adolescentes, jovens e adultos mais significativa e conectada com a realidade atual. A proposta é dar visibilidade a essas experiências para inspirar outros educadores a inovarem nas suas práticas.

No total, 199 educadores de 22 estados brasileiros, representantes de redes públicas e privadas, enviaram seus relatos para o desafio. São professores, coordenadores pedagógicos e diretores de escola que contaram em detalhes práticas realizadas do ensino infantil ao superior, passando pela educação de jovens e adultos.

Nos relatos, as principais tendências em educação foram traduzidas em ações cotidianas que envolvem a escuta de alunos, projetos de aprendizagem mão na massa, atividades que extrapolam os muros da escola, além de jogos e atividades interativas a partir do uso de tecnologia. Cada relato redigido pelos próprios educadores é acompanhado por dicas de como promover uma prática semelhante.

Baixe aqui ebook do Desafio Diário de Inovações

Inspirare lança guia para promover encontros entre empreendedores e educadores

06/09/17 //

,

A relação entre educadores e empreendedores é essencial para o desenvolvimento de soluções digitais que impactem o aprendizado e a concretização de inovações educacionais na escola. Embora todos trabalhem com educação, eles têm referências diferentes, enfrentam rotinas diversas e até falam cada um de um jeito. Foi pensando nisso que o Porvir/Inspirare, em parceria com Criamundi, lançaram o toolkit Apreender na Prática – Como promover conexões produtivas entre empreendedores e educadores, disponível no especial Apreender, do Porvir, que orienta a organização de oficinas com a participação dos dois públicos.

A apresentação do guia aconteceu durante o 11º Conecte-c, evento realizado pelo CIEB (Centro para Inovação da Educação Brasileira), que reuniu nesta terça-feira (5) cerca de 70 integrantes do ecossistema de educação, como empreendedores, gestores, educadores e pesquisadores. Para discutir os desafios e o os benefícios da aproximação entre educadores e empreendedores, participaram da discussão Felipe Correia, fundador da Eduqa.me, plataforma digital para gestão pedagógica da escola, Andrezza Amorelli, diretora do Colégio Elvira Brandão, que fica em São Paulo, e Márcia Padilha, fundadora da Criamundi.

Primeiro a tomar a palavra, Correia lembrou dos primeiros passos da Eduqa.me, quando precisava convencer seu público-alvo que toda a papelada envolvida no dia a dia da escola, da diretoria à sala de aula, poderia ser trocada por um processo totalmente online, até para facilitar a comunicação com os pais. “É um desafio para as escolas mostrar como é o desenvolvimento de linguagem em uma turma de maternal. A Eduqa.me consegue tornar essas informações visíveis para a direção e coordenação e dá agilidade para o professor”.

Para essa mensagem chegasse sem ruídos, a saída foi iniciar uma aproximação virtual (por meio do blog Na Escola) e presencial com os professores, incluindo uma das oficinas Apreender na Prática, em 2016. “A gente só conseguiu chegar a 100 mil visitas ao blog porque sentamos com mais de 150 professores de escolas públicas e privadas para entender as dores que eles tinham e melhorar a plataforma”, disse Correia. Como resultado, a Eduqa.me descobriu certas peculiaridades da vida do professor e preparou suas vendas e entrevistas para depois das 19 horas, quando acaba o expediente nas escolas.

Quem está na escola

Pelo lado do gestor, Andrezza Amorelli, diretora do Colégio Elvira Brandão, que recentemente escreveu um artigo para o Porvir, trouxe a experiência de quem encontrou sobreposição de ferramentas digitais sendo usadas em sua escola e decidiu enxugar a lista de parceiros investigando o porquê de suas escolhas.

O Elvira trabalha baseado em tem três grandes pilares, que orientam todo o projeto pedagógico: metodologia de projetos, metodologias ativas e cultura maker. Para atendê-los, Andrezza admite ser inviável desenvolver ferramentas internamente, mas é possível escolher usá-los como filtro para qualificar a compra.

“Quando a gente vê que existe alinhamento com o propósito, rodamos um piloto. Foi assim que fizemos com a Guten News. Chamamos as professoras, vimos que fazia sentido e colocamos para esse ano”, afirma.

Engana-se, no entanto, quem pensa que o relacionamento entre empresa e escola acaba na assinatura do contrato, que Andrezza chega a comparar a um “casamento”. “Você precisa ter alguém que tenha disponibilidade para viver a experiência da escola. Pacote pronto não adianta. O que funciona são os propósitos e os pilares, porque você não pode parar todos os processos de uma escola para adequá-los à ferramenta”, resume.

Oficinas

Ao final do encontro, Márcia Padilha organizou uma atividade em grupos que simula uma das fases da oficina Apreender na Prática, que foram criadas e prototipadas pelo Inspirare em 2016, em parceria com  Inketa, The Impact Hub e Artemísia. Tratam-se de encontros presenciais estruturados para professores e gestores de escolas conhecerem, avaliarem e validarem soluções de empresas de tecnologia na educação. No recém-lançado toolkit, sua metodologia é compartilhada para facilitar a organização de encontros semelhantes, de forma autônoma, por outras instituições envolvidas no ecossistema de empreendedorismo em educação. Segundo Tatiana Klix, editora do Porvir presente no lançamento, a disponibilização desse material tem o objetivo de ampliar as possibilidades de colaboração entre esses públicos.

Pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção volta de cara nova

28/08/17 //

Depois de ouvir 132 mil adolescentes e jovens em 2016, a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção teve sua segunda versão lançada no último dia 30/08, em uma transmissão ao vivo na página do Porvir no Facebook. A reformulação da plataforma foi realizada por meio de parceria entre Porvir, Inketa e Rede Conhecimento Social.

Pesquisa-Nossa-Escola-em-(Re)Construcao

O lançamento foi conduzido por estudantes representantes de classe da Escola Municipal de Ensino Fundamental anexa ao Educandário Dom Duarte, em São Paulo (SP), e equipes dos três parceiros realizadores da pesquisa. A escola desenvolve um trabalho de incentivo à participação dos alunos na melhoria da instituição e será a primeira a implementar o processo de escuta dos adolescentes por meio da segunda versão da Nossa Escola em (Re)Construção.

Na nova fase, a pesquisa foi transformada em uma ferramenta aberta e gratuita para que escolas e redes de todo o Brasil possam aplicar o questionário e conhecer os sonhos dos alunos em relação à educação. O projeto pretende ainda apoiar a realização de todas as etapas do processo de escuta, oferecendo dicas e orientações a estudantes, educadores, diretores e gestores de rede.

Outra novidade da pesquisa é a ampliação da faixa etária para de 11 a 21 anos, de modo a atender a todos os estudantes do ensino fundamental. A ferramenta traz ainda referências de tendências e escolas inovadoras para ajudar toda a comunidade escolar a ampliar o olhar sobre a escola dos sonhos.

Porvir incorpora Apreender, guia de empreendedorismo na educação

20/04/17 //

,

Porvir oferece a partir desta quinta-feira (20) um novo guia temático em seu site, o conjunto de ferramentas e referências Apreender – Empreender na Aprendizagem. O projeto do Instituto Inspirare foi lançado em setembro de 2015, como uma plataforma independente destinada a apoiar empreendedores em educação. Agora, a página reformulada foi integrada ao Porvir e pode ser acessada por três caminhos: diretamente no endereço apreender.org.br, na página de projetos especiais do Porvir ou na lista de conteúdos sobre Empreendedorismo em Educação, em destaque no menu do site.

Apreender no Porvir

A incorporação do guia ao portal Porvir proporciona uma maior integração entre os conteúdos disponíveis em apreender.org.br e as reportagens produzidas pela agência de notícias sobre inovações em educação úteis para empreendedores, como cases de startups brasileiras e internacionais, perfis de empreendedores, notícias sobre oportunidades para startups, estudos e eventos sobre o tema.

Com objetivo de fortalecer o ecossistema dos negócios de impacto em educação, o guia Apreender oferece conteúdos e ferramentas sobre a Jornada Empreendedora, dicas para interação com educadores e implementação de soluções nas escolas, um instrumento para avaliação de impacto, um glossário de atores do ecossistemade negócios sociais e casos reais de empreendedores que compartilham suas experiências e aprendizagens.

O espaço de conexão entre empreendedores e educadores, que era oferecido com o objetivo de levar a visão da escola para as empresas, deixou de fazer parte do guia Apreender e será incorporado pela Plataforma EduTec do CIEB (Centro de Inovação da Educação Brasileira). As startups que já haviam se cadastrado no marketplace da Apreender fazem parte agora do banco de dados da EduTec, que em breve também terá um conjunto de ferramentas que facilitará a interação entre empreendedores e professores e gestores, de acordo com suas necessidades e demandas.

Participação dos estudantes foi tema do Transformar 2017

04/04/17 //

O que começou como um bate-papo informal logo se tornou um raio-X sobre a situação de muitas escolas brasileiras. Ana Clara Nunes,14, Arthur Rezende, 16, Cecília Azevedo, 16, Débora Pessoa, 18, e Derivaldo Jr., 19, abriram o Transformar 2017, maior evento sobre inovação em educação do país, com relatos sobre suas realidades: carência de laboratórios e acesso à tecnologia, escolas mais parecidas com prisões, e que ainda recebem alunos em salas de aulas quentes e com cadeiras desconfortáveis. Realizado nesta terça-feira (4) em São Paulo (SP), o evento é organizado pelo Instituto Inspirare/Porvir, Fundação Lemann e Instituto Península, e convidou, pela primeira vez, alunos das cinco regiões brasileiras para abrir a programação.

transformar-2017-capa

A fala dos estudantes, no entanto, deixou claro que os jovens querem mais do que uma infraestrutura melhor, mas desejam um ensino conectado com o mundo no século 21, atividades práticas, interação com a comunidade e participação nas instâncias de decisão da escola, como mostram as pesquisas Nossa Escola em (Re)Construção e Manifesto Voz do Jovem, cujos resultados foram apresentados por eles. Ao final do painel, fizeram o convite “Nós estamos preparados para a mudança, e vocês?”. Foi a deixa para a sequência do evento, que trouxe experiências de sucesso em sala de aula tanto no Brasil quanto do exterior. Em comum, todas colocam o estudante como protagonista de seu aprendizado, com maior ou menor grau de adoção de tecnologia.

10 vezes que Transformar mostrou a importância de olhar para os estudantes

Isso ficou claro desde a fala de Helen Walsh e Rachel Weiss, do Seattle Public School Disctricts (EUA), e de Willman Costa, do Colégio Estadual Chico Anysio, no Rio de Janeiro, que dividiram o palco no painel “É possível desenvolver competências para o século 21 na escola”. Na rede dos EUA, foi colocado em prática um programa que promove o autoconhecimento do estudante, que resulta em intervenções personalizadas dos professores para ajudá-los a lidar com suas emoções. No Rio, Willman Costa usa os conhecimentos dos próprios alunos para mudar as avaliações, que ganham letras de funk (“Quem disse que a escola tinha quer ser difícil?”), e promove sessões de aconselhamento para alertar jovens para os riscos das drogas. “A gente não está preocupado com o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), mas em formar cidadãos. Sempre digo que o gênio que não sabe lidar com as pessoas ficará desempregado”. Como resultado de seu trabalho, a escola registra evasão zero e tem mais da metade dos alunos ingressando em universidades públicas.

Acreditar nos alunos é a recomendação de Michael de Souza, diretor da escola de design Leadership Public Schools, na Califórnia, para que eles sejam bem sucedidos. “Nenhuma inovação funciona se não acreditarmos que todas as crianças são maravilhosas e capazes de qualquer coisa”. Para o educador, que é o primeiro da família com curso superior, é preciso valorizar autoestima dos alunos e dizer constantemente a eles que podem e devem ir para a faculdade. Segundo ele, em sua escola, professores e funcionários procuram manter um diálogo e uma relação próxima com os alunos.

Jill Lizier, professora da Swasey Central School, no estado de New Hampshire, que participou do painel “Prêmios, brincadeiras, portfólios: novas formas de avaliar a aprendizagem”, acredita que para engajar seus alunos é preciso conectar os aprendizados com a vida real. Ela mostrou como criou avaliações significativas, nas quais apresenta desafios com propósito para estudantes demonstrarem suas competências cognitivas e socioemocionais.

Envolver alunos em atividades práticas também é a filosofia da High Tech High, rede de escolas charter (públicas com administração privada) localizada na Califórnia (EUA). Tim McNamara, diretor da unidade de Chula Vista, e responsável por criar projetos de curso em esquetes teatrais, jornalismo, tradução de poesia e design de jogos, trouxe a mensagem para inspirar aqueles que ainda estão dando os primeiros passos na metodologia de projeto. “Sempre que você puder deixar o aluno assumir a liderança, deixe!”, disse.

Da Green School, escola localizada em Bali, na Indonésia, a professora de inglês, dramaturgia e yoga Nicola Unite, trouxe o recado de que uma educação sustentável é aquela que alimenta a consciência interior. No Transformar, ela dividiu o palco “Escolas sustentáveis que educam para a sustentabilidade” com o diretor Valnei Alexandre, do Colégio Estadual Erich Walter Heine, no Rio de Janeiro (RJ), primeira escola da América Latina a receber “selo verde”. “Educar para a sustentabilidade precisa de um modelo que analisa o aluno de forma integral”, ressaltou Nicola.

Por outro lado, o sucesso escolar dos estudantes depende de altas expectativas que professores e diretores têm a respeito deles, como lembrou Nicholas Kim (leia entrevista com ele no Porvir) , diretor executivo da unidade Tahoma da rede de escolas charter Summit Public Schools, da Califórnia, durante a palestra final do Transformar 2017. Em uma fala que se conecta com o espírito dos jovens que se veem parte da solução e não dos problemas na educação, Kim disse: “Se a gente der autonomia para as pessoas atingirem suas metas, coisas incríveis vão acontecer”.

Porvir organizará painel no SXSWEdu 2017

19/10/16 //

Boa notícia para quem acredita na importância do papel dos alunos na transformação da educação. O Porvir/Inspirare vai levar essa discussão ao SXSWEdu 2017, um dos maiores eventos sobre inovação em educação do mundo. O encontro entre alunos, professores, empreendedores, gestores e demais atores do setor educacional de todo o mundo acontece entre os dias 6 e 9 de março, em Austin, nos Estados Unidos.

Crédito: DannyMatson/Sxswedu.com

Crédito: DannyMatson/Sxswedu.com

O Porvir foi selecionado para organizar um painel no evento, chamado Students as Education Innovators (Estudantes como Inovadores da Educação), através da ferramenta PanelPicker, que permite e incentiva que a comunidade do SXSWEdu participe da elaboração da programação submetendo propostas ao voto popular. Neste ano,  quase 40 mil votos avaliaram cerca de 1300 seções inscritas para compor a edição de 2017.

A ideia do SXSWEdu é reunir profissionais criativos e incentivar que essa paixão pelo futuro de educar e aprender seja compartilhada. Para que isso aconteça, o evento divide sua programação em apresentações (os chamados Keynotes, designados para inspirar, iluminar e informar), workshops,  fóruns, reuniões, exibições de filmes, entre outros.

A proposta do Porvir é construir, durante o painel, estratégias para engajar estudantes na co-criação e implementação de inovações educacionais. Para isso, será apresentada a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, que ouviu mais de 135 mil jovens de diversos estados do país para entender como gostariam que a escola fosse e como gostam de aprender. A discussão contará com a presença de Mailson Cruz de Aguiar, estudante de 19 anos que participou da construção do questionário da consulta e da análise dos resultados. A inovadora social Bruna Waitman, do Media Education Lab (MEL), vai levar para o debate a experiência na construção e aplicação de uma metodologia de escuta e co-criação em São Miguel dos Campos, em Alagoas, e em uma escola ocupada em Goiânia, em Goiás, disponíveis na plataforma Faz Sentido. A mediação do debate será feita pela diretora do Inspirare, Anna Penido.

Assista ao vídeo da campanha (em inglês):

Jovens querem atividades práticas e tecnologia na escola

06/10/16 //

A pesquisa “Nossa Escola em (Re)Construção” ouviu 132 mil adolescentes e jovens de 13 a 21 anos e mostrou que estudantes de todas as regiões do país desejam uma escola com currículo mais diversificado e flexível, em que se aprende com atividades práticas e tecnologias, em espaços físicos dinâmicos e variados.

Quando analisam a escola que têm, os jovens ouvidos na consulta sentem falta na escola de atividades extraclasse, uso de tecnologia e atividades artísticas. Melhorias na alimentação escolar e nas atividades esportivas também estão no rol das principais necessidades apontadas. Em relação a aulas e materiais pedagógicos, quatro em cada 10 estudantes dizem que estão satisfeitos. O resultado, divulgado no dia 22 de setembro, reafirma a urgência das instituições de ensino reverem suas estratégias.

Crédito: Reprodução

Crédito: Reprodução

Apesar das críticas, os respondentes da pesquisa demonstram que ainda têm um vínculo afetivo com o espaço escolar: 70% deles gostam de estudar em suas escolas e 72% dizem que lá aprendem coisas úteis para sua vida.

Conforme resultados divulgados, quando falam sobre a escola que desejam, os jovens demonstram querer substituir as aulas teóricas e aplicação de provas pela aprendizagem por meio de projetos que envolvem atividades práticas ou resolução de problemas, uso da tecnologia e interação com a comunidade dentro e fora da escola.

Em relação ao currículo, mostram interesse em outros conteúdos além das disciplinas tradicionais, como conhecimentos ligados à tecnologia, habilidades de relacionamento, política, cidadania e direitos humanos, esporte e bem-estar. Também querem poder escolher parte das matérias que vão estudar.

No que diz respeito aos recursos educacionais, acham que vão ser mais felizes e aprender mais com projetos, rodas de conversa e pesquisa na internet. Apontam ainda que uma escola mais inovadora deve ter robótica, programação e games. Os estudantes também propõem mudanças para a sala de aula, trocando-se as carteiras fixas e enfileiradas por móveis e ambientes variados, inclusive com a utilização mais frequentes de espaços externos dentro e fora da escola.

“Nossa Escola em (Re)Construção” é uma iniciativa do portal Porvir, especializado em inovações educacionais, programa do Instituto Inspirare. O estudo foi realizado com a parceria técnica da Rede Conhecimento Social. A pesquisa foi estruturada com base em metodologia chamada PerguntAção, que envolveu os jovens em todas as etapas do processo. O questionário ficou disponível na internet entre 28 de abril a 31 de julho deste ano, para que alunos ou ex-alunos de todo o Brasil pudessem responder às questões formuladas com apoio de um conselho de especialistas e de um grupo de 25 jovens. Os respondentes representam 1.707 municípios de todos os Estados mais o Distrito Federal. A Região sudeste teve a maior proporção de participantes: 85,4%. Os interessados em conhecer os resultados da escuta e realizar iniciativa semelhantes podem ter acesso ao relatório da pesquisa na íntegra e ao questionário em PDF no link (http://porvir.org/nossaescola). São parceiros de disseminação dos resultados a Mova Filmes e a Inketa, que produziram vídeos e uma plataforma virtual para ampliar o acesso dos interessados aos dados da pesquisa.

Porvir vence Prêmio Estácio de Jornalismo

06/10/16 //

A série do Porvir sobre Formação de Professores venceu o Prêmio Estácio de Jornalismo na categoria internet nacional. A premiação foi entregue nesta quinta-feira (6), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

De autoria de Marina Lopes e Vinícius de Oliveira, a série leva o olhar da inovação para um dos principais desafios para melhorar educação brasileira. Na primeira matéria, mostramos o panorama das licenciaturas e o perfil dos concluintes. Na sequência falamos da necessidade de aproximação de teoria e prática e demos oportunidade para que um aluno mostrasse o quão importante é o contato com a sala de aula ainda na universidade.

Assim como discutir a importância da neurociência para que o professor entenda como o aluno aprende,  a série olha para o que acontece fora do país para entender como a tecnologia pode se tornar uma aliada do professor e transformá-lo em um agente de transformação. Trazemos como programa da Teachers College já inclui os temas de impressão 3D e programação em seu currículo. No mesmo sentido, conversamos com responsáveis por programas inovadores em outras três universidades americanas, Harvard, Michigan State e Relay GSE, e a Universidade de Helsinque, na Finlândia,  para descobrir como os cursos estão se adaptando aos novos tempos e revendo suas metodologias.

As duas últimas matérias da série analisam como a Base Nacional Comum Curricular pode ajudar o docente a ter mais clareza sobre o que precisa ensinar e também como outros países já aplicam avaliação que ajudam a aperfeiçoar o trabalho de quem já está na sala de aula e promover o ingresso de novos profissionais na carreira.

Porvir lança guia de infraestrutura de conectividade para gestores

02/08/16 //

Porvir lança nesta terça-feira (2/8) uma nova versão do guia temático Tecnologia da Educação. O material, que já trazia informações sobre por que conectar as escolas à internet e metodologias de ensino que envolvem o uso de teconologia, agora se dedica a orientar as secretarias sobre como planejar a infraestrutura de conectividade para impulsionar o aprendizado dos alunos.

Construído a partir de mais de 60 entrevistas com especialistas e integrantes de governos, empresas e instituições de ensino, o guia Tecnologia na Educação procura responder  quatro perguntas essenciais – “Qual o modelo de conexão?”, “Como distribuir o sinal de internet?”, “Quais equipamentos serão usados?” e “Como será feita a manutenção?” – para construir um mapa de orientações para conectividade.

Crédito: Inketa

Crédito: Inketa

Para que políticas não sejam interrompidas e o trabalho na rede seja consistente, gestores precisam resolver uma equação que envolve os recursos financeiros disponíveis, a infraestrutura já existente e os objetivos pedagógicos. Por isso, o guia traz diferentes decisões e experiências já colocadas em prática por secretarias em todo o país para inspirar novas práticas em outras redes. Para resolver o desafio da conexão da internet, por exemplo, São Paulo e Paraná optam por centralizar a contratação do link de internet de fibra ótica, junto com outros serviços como saúde e segurança, enquanto Alagoas prefere descentralizar, fornecendo recursos diretamente para as escolas. Independente da forma de contratação, o especial chama a atenção para a necessidade de garantir uma velocidade de conexão de pelo menos 10 Megabits por segundo para que seja possível o uso de plataformas digitais mais robustas.

Além da contratação da conexão, o guia mostra as opções para distribuir o sinal de internet na escola e explica o que a transmissão via cabo ou wi-fi possibilitam. Em um caso de escola que tem o sinal de internet sem fio por toda a escola, traz a palavra da diretora da escola Desembargador Amorim Lima, de São Paulo, que oferece conexão sem fio em todas as suas dependências. Na instituição, alunos conseguem subir projetos de vídeos direto para a plataforma pedagógica em questão de segundos, por conta de um link de 100 Mbps de velocidade.

Outro ponto analisado diz respeito aos equipamentos que são usados por professores e alunos. Os computadores desktop, que atualmente dominam os laboratórios de informática, limitam a personalização do ensino, entretanto, até mesmo os dispositivos móveis impõem desafios à escola, como a formação de professores e a administração do uso. Você já deve ter ouvido falar da estratégia de Um Computador por Aluno, certo? Então conheça a iniciativa de Piraí, município do Rio de Janeiro que há sete anos mantém viva uma política pública que permite a cada estudante usar seu próprio notebook educacional durante as aulas.

Para que o plano de conectividade não caia por terra, o material ainda aborda os desafios da manutenção e de como um município como Joinville centraliza o atendimento e usa uma equipe interna para reparar os equipamentos, enquanto redes como a de Pernambuco optam por centralizar a gestão, mas delegam a uma terceirizada o serviço junto às escolas.

Todo esse quadro de opções é materializado com o plano de conectividade de dois estados, Pernambuco (que ainda está em fase preliminar) e São Paulo, que responderam às perguntas enviadas pelo Porvir e ajudaram a criar um raio-X de suas redes.

“Não existe um caminho único para garantir infraestrutura para as escolas usarem a tecnologia com fins pedagógicos. Apesar de cada secretaria ter suas próprias características, mostramos no guia Tecnologia na Educação exemplos de práticas e decisões que podem ser adaptadas em diferentes contextos”, afirma Vinícius de Oliveira, subeditor do Porvir que produziu o material.

O guia temático está disponível no endereço porvir.org/especiais/tecnologia/. Na página, gestores ainda encontram uma tabela para download com as opções a serem consideradas no planejamento de estratégias das redes.

Pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção termina com 135 mil respostas

02/08/16 //

Após três meses, foi oficialmente encerrado hoje o questionário online da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, iniciativa do Porvir e da Rede Conhecimento Social, que teve o objetivo de ouvir o que os  jovens pensam sobre a escola e como gostariam que ela fosse. Com adesão superior às expectativas dos organizadores, a consulta foi respondida por cerca de 135 mil estudantes de 13 a 21 anos de todas as regiões do país.

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

A pesquisa foi construída com a metodologia PerguntAção, desenvolvida pela equipe da Rede Conhecimento Social, que tem um caráter de mobilização e envolve o público pesquisado em todas as etapas do processo. O próximo passo da metodologia é a realização de duas oficinas de análise dos resultados, que vão acontecer dentro da programação da Virada Educação, nos dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo. A primeira oficina vai reunir  especialistas em pesquisas que formam o conselho orientador da Nossa Escola em (Re)Construção com estudantes que ajudaram a construir o questionário. No segundo momento, todo o público participante da Virada poderá comparecer à oficina de análise. O objetivo é aprofundar a leitura dos dados quantitativos e humanizar as conclusões.

Os resultados gerais da pesquisa serão divulgados publicamente na primeira quinzena de setembro. Depois disso, serão enviados os relatórios segmentados para redes, escolas e instituições que estimularam os seus estudantes a responderem à consulta, como as redes estaduais de educação de São Paulo e Goiás, o Centro Paula Souza, a Escola Sebrae de Belo Horizonte e o Sinepe/RS (Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul). AppProva, Bett Brasil Educar, Catraca Livre, ClassApp e Geekie também foram parceiros de divulgação da pesquisa.

“O grande número de repostas da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção mostra que os jovens querem ser cada vez mais protagonistas do seu próprio aprendizado e de transformações no sistema de ensino. Esperamos que essa consulta seja o primeiro passo de um processo contínuo de escuta dos jovens”, avalia Tatiana Klix, editora do Porvir.

Porvir publica série de reportagens sobre engajamento familiar

20/06/16 //

Apesar da importância da participação da família ser um consenso entre os profissionais de educação, ainda é difícil colocar esse princípio em prática. Como uma forma de apresentar desafios e caminhos para promover a aproximação entre famílias e escolas, o Porvir, programa do Instituto Inspirare, deu início à série de reportagens Engajamento Familiar.

Lançada no dia 16 de maio, a série reforça a importância da participação familiar e apresenta experiências bem-sucedidas de aproximação entre escolas e responsáveis. São apresentadas referências nacionais e internacionais em diferentes etapas de ensino, além de destacar metodologias que contribuem para melhorar a relação entre ambos.

Crédito: NLshop / Fotolia.com

Crédito: NLshop / Fotolia.com

Na primeira matéria, Aproximação da família com escola apoia o aluno e transforma educação, a série apresenta os principais desafios que cercam a relação família e escola, muitas vezes motivados pela falta de diálogo. Enquanto as instituições afirmam que os pais não se envolvem na educação dos filhos, as famílias dizem que gostariam de participar, mas não encontram espaço dentro da escola. Para educadores e pesquisadores ouvidos pelo Porvir, não existe uma regra geral para aproximar a instituição de ensino e a família, mas cada escola precisa descobrir um modo próprio de fazer essa comunicação acontecer.

A segunda publicação da série traz um artigo sobre como o design thinking promove engajamento familiar para apoiar o aprendizado. Allison Rowland traz sua experiência como doutora residente no programa de Liderança Educacional na Harvard Graduate School of Education, Allison Rowland. Em colaboração com uma ONG norte-americana, ela desenvolveu uma oficina para chamar a atenção para o engajamento familiar como um facilitador no processo de escuta das famílias e resolução de problemas escolares. A atividade envolveu 120 pessoas, entre elas, famílias que falavam seis idiomas diferentes, estudantes do ensino fundamental e médio, além de professores, diretores e membros da comunidade.

A terceira matéria traz recomendações do centro de estudos Harvard Family Research Project, dos Estados Unidos, para diretores, professores e pais participarem dos encontros entre a escola e as famílias de maneira mais efetiva. Já na quarta matéria, são apresentadas experiências dos programas Aprender em Família, do Chile, e Comunidade de Aprendizagem, do Brasil, que investem na formação de famílias como uma estratégia para apoiar o desenvolvimento dos alunos.

As próximas reportagens da série apresentarão dicas e casos de participação familiar por etapa escolar – educação infantil, ensino fundamental e médio. Outra reportagem ainda mostrará como a tecnologia pode facilitar os processos de comunicação entre a escola e pais e responsáveis dos alunos.

Todos os conteúdos podem ser consultados no site do Porvir com a Tag “Série Engajamento Familiar”. Além disso, as reportagens estão disponíveis para a reprodução livre e gratuita pela imprensa, por meio da licença mais aberta do Creative Commons. 

Prazo para participar da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção vai até 31 de julho

17/06/16 //

O prazo para responder à pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, que tem  objetivo de ouvir o que jovens pensam da escola e como gostariam que ela fosse, foi prorrogado até o dia 31 de julho. A escuta – promovida pelo Porvir, programa do Instituto Inspirare, em parceria com a Rede Conhecimento Social, realizadora da metodologia PerguntAção – foi lançada no dia 28 de abril e já teve a participação de mais de 20.000 jovens de 13 a 21 anos. Para ampliar ainda mais participação na consulta em todo o país, os alunos agora poderão responder ao questionário durante todo o mês de julho, quando muitos estarão em férias. Só é preciso reservar 20 minutos para responder às perguntas.

Crédito: Regiany Silva

Crédito: Regiany Silva

A pesquisa, disponível neste link, procura entender a percepção dos jovens em relação à escola atual e como eles acham que ela pode estimular mais o seu aprendizado, respeitar suas características individuais, ser inovadora e contribuir com a sua felicidade. A grade curricular, os conteúdos, as metodologias pedagógicas, os recursos usados para ensinar e aprender e o formato das salas de aula também são alvo do estudo. Além disso, a escuta quer saber se há espaço para participação do jovem nas decisões da escola e se eles de fato participam.

Redes de ensino, como a dos estados de Goiás e de São Paulo, já engajaram milhares de estudantes no processo de escuta e reflexão sobre a sua própria educação, e instituições privadas, como a Escola Sebrae de Belo Horizonte e o Sinepe/RS (Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul) também estão incentivando seus alunos a participarem da Nossa Escola em (Re)Construção. AppProva, Bett Brasil Educar, Catraca Livre e Geekie também são parceiros de divulgação da pesquisa.

“Nosso objetivo é mobilizar jovens de todos os perfis, de todas as origens, de todas as condições socioconômicas e de todas as regiões do Brasil a refletir sobre suas experiências de aprendizagem e ajudar a construir uma escola mais conectada à realidade do jovem do século 21″, afirma Larissa Alves, mobilizadora social do Porvir.

Resultados

Os resultados quantitativos da mobilização e a análise das respostas serão divulgados em agosto deste ano. Além dos dados gerais da escuta no Brasil, também será possível analisar as respostas por escola ou organização social/coletivo de jovens com pelo menos 50 participantes.

Os planos oferecidos são os seguintes:

Mais de 50 respostas: relatórios contendo tabelas simples de resultados e banco de dados com as informações da instituição específica;

Mais de 150 respostas: relatórios contendo tabelas simples de resultados e cruzamentos com informações de perfil, gráficos e banco de dados, com as informações da instituição específica.

“A ideia é que o questionário também se torne uma ferramenta para que os professores e as escolas ouçam os seus alunos e promovam debates. Queremos contribuir para que mudanças concretas aconteçam em escolas de todo o Brasil a partir da escuta dos jovens”, explica Tatiana Klix, editora do Porvir.

As instituições que desejem receber resultados segmentados da pesquisa ou apoiar a divulgação e mobilização devem entrar em contato com o Porvir pelo email porvir@porvir.org ou pelo telefone  11 3813-7719 Ramal 19.

Pesquisa mobiliza jovens a pensar na escola dos sonhos

28/04/16 //

O que os jovens pensam da escola e como eles gostariam que ela fosse? Para estimular estudantes de 13 a 21 anos de todos os estados do país a pensar sobre suas experiências de aprendizagem e ouvir seus desejos em relação à educação, foi lançada hoje, dia 28 de abril, o Dia da Educação, a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção. A escuta é uma iniciativa do Porvir, programa do Instituto Inspirare que completa quatro anos na mesma data, em parceria com a Rede Conhecimento Social, realizadora da metodologia PerguntAção, utilizada para a consulta.

“Quando discutimos educação, normalmente consultamos adultos: gestores, diretores, professores, pais. Nossa intenção é dar voz aos alunos e mobilizá-los para que reflitam sobre o seu papel na escola e sobre as características que elas devem ter para promover aprendizado e desenvolvimento com sentido. Queremos entender o que o aluno do século 21 espera da educação”, afirma a diretora do Inspirare, Anna Penido.

questionário online, que estará disponível até o dia 31 de julho, vai perguntar qual é a percepção dos jovens em relação à escola atual e como eles acham que ela pode estimular mais o seu aprendizado, respeitar suas características individuais, ser inovadora e contribuir com a sua felicidade. A grade curricular, os conteúdos, as metodologias pedagógicas, os recursos usados para ensinar e aprender e o formato das salas de aula são alvo do estudo. Além disso, a escuta também quer saber se há espaço para participação do jovem nas decisões da escola e se eles de fato participam.

NOSSA ESCOLA CORTADA

Divulgação

A consulta utiliza a metodologia PerguntAção, que envolve o público pesquisado em todas as etapas do processo, desde a reflexão sobre o tema, a concepção do questionário, a mobilização para a coleta de respostas e a análise dos resultados. A Nossa Escola em (Re)Construção começou a ser concebida em uma oficina de 4 horas com um conselho orientador, formado por profissionais com experiência em educação e processos de escuta de jovens. Fazem parte deste conselho Ana Lúcia Lima, do Instituto Paulo Montenegro, Andrelissa Ruiz, da Fundação Tide Setúbal, Camila Khoury, da AIESEC, Carla Mayumi, da Box 1824 e Talk Inc., Ives Rocha, do CEDAPS, Rosi Rosendo, do IBOPE Inteligência, Marilse Araújo, da Ação Educativa, e Renan Ferreirinha, do Mapa Educação.

Posteriormente, um grupo de 25 jovens de diferentes perfis, das cinco regiões do país, se reuniu em São Paulo, para debater sobre suas escolas, seus anseios e propor as perguntas para o questionário, que depois foi refinado pela equipe do Porvir e da Rede Conhecimento Social e pelo conselho orientador.

“O PerguntAção é um processo de construção participativa de consultas de opinião para gerar mobilização. É diferente de uma pesquisa tradicional porque aqui queremos ter resultados não só no final, mas no próprio processo de elaboração de todas as etapas, gerando muito debate, sempre de forma colaborativa com o próprio público alvo. Quem melhor do que os próprios jovens para dizer o que perguntar para os estudantes sobre a escola dos sonhos?”, diz Marisa Villi, cofundadora da Rede Conhecimento Social.

Dois jovens integrantes do grupo que ajudou a construir a pesquisa e vai mobilizar outros estudantes a refletirem sobre a escola dos sonhos participaram de uma transmissão ao vivo no dia 28 de abril, às 11h, na página do Porvir no Facebook.

Resultados

Os resultados quantitativos da mobilização e a análise das respostas serão divulgados em agosto deste ano. Além dos dados gerais da escuta no Brasil, também será possível analisar as respostas por escola ou organização social/coletivo de jovens com pelo menos 50 participantes. “A ideia é que o questionário também se torne uma ferramenta para que os professores e as escolas ouçam os seus alunos e promovam debates. Nosso sonho é que mudanças concretas aconteçam em escolas de todo o Brasil a partir da escuta dos jovens”, explica Tatiana Klix, editora do Porvir.

São parceiros de divulgação e mobilização da iniciativa o evento Bett Brasil Educar,  o portal Catraca Livre e  as empresas educacionais Geekie e AppProva. Outras instituições que desejem receber resultados parciais da pesquisa ou apoiar a divulgação e mobilização devem entrar em contato com o Porvir pelo email porvir@porvir.org ou pelo telefone  11 3813-7719 Ramal 19.

*Este texto foi atualizado em 17/06/2016, por conta da alteração da data de encerramento da pesquisa para 31/07/2016.

Desafios e caminhos para a formação de professores no Brasil

15/10/15 //

Um bom professor tem um papel fundamental na vida do seu aluno. A decisão sobre como devem ser formados os novos profissionais impacta no projeto educacional de qualquer nação. Com as mudanças constantes nas formas de aprender e ensinar, os cursos de licenciatura devem preparar os futuros professores para dialogarem com a nova realidade da sala de aula, atuando como mediadores e designers de aprendizagem.

- Confira o Raio-x da formação inicial de professores no Brasil

Para estimular o debate sobre a preparação dos novos profissionais, o Porvir aproveita a celebração do Dia dos Professores (15) para lançar a série de reportagens Formação de Professores, que apresenta o cenário atual, desafios e caminhos para a formação inicial no país.

Crédito: luigi giordano / Fotolia.com

De acordo com os dados do Censo da Educação Superior 2013 (último levantamento divulgado), existem 7.900 cursos de licenciatura na área de educação espalhados por todo país. Neste ano, mais de 200 mil alunos foram licenciados (56% pela modalidade presencial e 44% pelo ensino à distância). Porém, especialistas na área apontam que muitos cursos ainda estão bastante distantes da realidade da sala de aula.

Em 2010, ingressaram 392.185 alunos em cursos de licenciatura na área de educação. Após quatro anos, o número de concluintes chegou a 201.011. No ano de 2013, das 990.559 vagas que foram oferecidas, apenas 468.747 foram preenchidas (152.397 em instituições públicas e 316.350 em privadas). Segundo Valeska Maria Fortes de Oliveira, pesquisadora da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e coordenadora do grupo de trabalho de formação de professores da ANPEd (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), a atração de profissionais para o ingresso na carreira docente é um dos primeiros entraves para a formação inicial no país.

A formação é um dos itens que, de acordo com a pesquisadora, integra a chamada condição docente, constituída por carreira, salário e condições de trabalho. “A forma com que se trata o professor é um dos primeiros problemas que hoje enfrentamos para atrair alguém para dar aula no Brasil”, diz Oliveira, ao analisar a necessidade de valorização da carreira.

Leia o artigo “O que explica a falta de professores nas escolas brasileiras?”

O PNE (Plano Nacional de Educação) dedica quatro de suas 20 metas aos professores: prevê formação inicial, formação continuada, valorização do profissional e plano de carreira. Para que se tenha uma dimensão do trabalho que o país tem pela frente, entre os 2,2 milhões de docentes que atuam na educação básica do país, 24% não possuem a formação adequada, conforme dados do Censo Escolar 2014. “Se nós não cuidarmos dos professores da educação básica, estamos fadados a continuar tendo dados educacionais de baixo nível”, afirma a pesquisadora Bernardete Gatti, vice-presidente da Fundação Carlos Chagas.

O cenário contrasta com a meta número 15 do PNE, que prevê que todos os professores da educação básica tenham formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área em que atuam. Para Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a formação inicial no país ainda é muito frágil. “Ela é insuficiente em relação às demandas das próprias leis brasileiras”, afirma. Cara explica que para se aproximar das metas é preciso começar a tratar o plano como prioridade.

Dentro das medidas adotadas no primeiro ano de vigência do PNE, em julho de 2015, foram divulgadas as novas diretrizes para a formação de professores, elaboradas pelo CNE (Conselho Nacional de Educação). O documento aumenta o tempo mínimo de formação para os cursos de licenciatura, que passam de 2.800 para 3.200 horas. Além disso, os cursos deverão contar com mais atividades práticas, aproximando os futuros professores do cotidiano da escola.

Aproximação entre teoria e prática

As novas diretrizes tentam lidar com um dos principais gargalos da formação de professores no país: a articulação entre teoria e prática. Segundo Paula Weiszflog, coordenadora geral de pós-graduação e extensão do Instituto Singularidades, de São Paulo, muitos profissionais saem da universidade com o domínio do conteúdo, mas com pouca base didática. “Ele [professor] chega na sala de aula totalmente despreparado porque não sabe como passar aquele conteúdo que viu”.

Para Miguel Thompson, diretor da mesma instituição, a experiência de alunos na universidade ainda está muito concentrada no lado acadêmico. “Elaborar um paper se tornou mais importante do que fazer um plano de aula. Essa questão tem que ser debatida”, ressalta, ao mencionar que algumas licenciaturas estão formando biólogos, físicos e matemáticos, mas não professores de biologia, física e matemática.

Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, avalia que a situação requer medidas que vão além de ajustes. “Nosso grande problema é fazer uma espécie de revolução na formação de professores”. Segundo a pesquisadora, as licenciaturas não estão estruturadas para formar um professor. “Elas não formam bem nem no conhecimento específico e nem nas didáticas e práticas de ensino necessárias para uma atuação nas escolas”.

Além das questões envolvendo o ambiente universitário, a falta de diálogo com a realidade da escola é outro fator apontado como fonte de dificuldades para os professores recém-formados que ingressam nas redes de ensino. Jorge Carvalho, secretário de Educação do Estado de Sergipe e coordenador do eixo prioritário Planos de Carreiras no Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), diz que durante esse processo habilidades necessárias para a prática docente acabam ficando de lado. “As universidades, de modo geral, estão oferecendo licenciaturas que muito se assemelham a um bacharelado. Elas estão muito preocupadas em formar pesquisadores.” Segundo ele, a sociedade deve fazer um pacto sobre o tipo de professor que se quer formar.

Anna Helena Altenfelder, superintendente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), defende que a formação inicial deve preparar um professor para ser capaz de ler a realidade do seu aluno, ter empatia com a comunidade e, além de dominar os conteúdos, saber como ensinar. No entanto, ela pondera: “Não adianta reformular os currículos dos cursos de pedagogia ou licenciaturas, se a própria postura e concepção dos professores formadores dentro das universidades não mudar.”

Novas metodologias, uso de tecnologia e avaliação

Assim como se fala sobre o uso de novas metodologias na educação básica, as instituições formadoras devem transformar a sua forma de ensinar. “Há uma pedagogia dentro da universidade que precisa ser refeita e aberta. Há formadores fechados, achando que ainda cabe ensinar dentro do modelo que aprenderam”, destaca a pesquisadora Valeska Maria Fortes de Oliveira, da ANPEd, ao mencionar que, para criar referências para o futuro professor, é importante usar a homologia dos processos, ou seja, aplicar na sua formação as mesmas práticas pedagógicas que deverão utilizar com seus alunos.

Confira o especial Tecnologia na Educação 

“O mundo avança rapidamente, e as crianças já nascem com acesso à tecnologia. Essa criança certamente vai exigir uma participação muito maior na sala de aula”, diz Rodolfo Joaquim Pinto da Luz, secretário municipal de Educação de Florianópolis (SC) e membro da diretoria nacional da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação). De acordo com ele, é preciso preparar os futuros professores para atuarem em um novo contexto, onde possam ser mediadores, saibam promover a inclusão de todos os alunos e estejam constantemente atualizados de acordo com uma didática alinhada ao século 21, incluindo até noções de neurociência para compreender como seus alunos aprendem.

Dentro do desafio de preparar os novos professores, a formação também deve incorporar a tecnologia e as novas linguagens. “O professor tem que estar preparado para utilizar, no seu dia a dia, todos os equipamentos que podem oferecer uma aprendizagem diferenciada para os alunos”, defende o dirigente. Mas, diante de todas essas competências e habilidades desejáveis, como saber se os professores formados estão aptos para lidar com a realidade da sala de aula?

Avaliar os professores que estão sendo formados também é um desafio para o país. De acordo com os especialistas na área, a grande questão é criar métricas que não sejam punitivas, mas consigam dar conta de avaliar os novos profissionais e oferecer suporte para o desenvolvimento da sua prática. “A responsabilidade de formar jovens é grande. A nação tem que assumir isso”, destaca Miguel Thompson, do Instituto Singularidades.

Mapeamento de educadores inovadores e série sobre formação de professores são apresentados pelo Porvir

13/10/15 //

 Em Paripiranga, interior da Bahia, o professor José Souza dos Santos propôs aos alunos um diálogo teatral entre o poema de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, e a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos. A encenação foi essencial para trabalhar a oralidade. No município de Marataízes, litoral sul do Espírito Santo, a professora Marlúcia da Silva Souza Brandão levou o funk para o banco dos réus. Um júri popular, no chamado “debate regrado”, avaliou a possível culpa do estilo musical; ao mesmo tempo, alunos compilaram argumentos para escrever um artigo, que posteriormente foi publicado em um blog. Em Londrina, no Paraná, o professor de Física, Eduardo Toshio Nagao, desenvolveu um projeto para ensinar conceitos de velocidade média e leis de Newton via jogo de boliche.

Débora Machry, professora de Ciências no município de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, usa o WhatsApp para incentivar a leitura. Não somente as crianças são o público-alvo de professores interessados em ensinar de maneira diferente; em Porto Alegre, o resgate de memórias mudou o uso de tecnologia na Educação de Jovens e Adultos (EJA). No Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, os professores de música, teatro e cultura digital criaram projetos colaborativos com avatares, de acordo com o relato da professora Clevi Elena Rapkiewicz. Ana Angélica Santos, professora em Diamantina, Minas Gerais, faz pizza e bolo, em plena sala de aula, para explicar conceitos matemáticos como medida, proporção, fração, soma, subtração, multiplicação e divisão. O projeto Cantos Distantes – desenvolvido em Brasília pela professora Maria Verúcia de Souza – incentiva os alunos a escreverem cartas para Cabo Verde; a iniciativa aposta em trocas culturais e gênero textual antigo para desenvolver habilidades de leitura e escrita.

Crédito: Kenishirotie / Fotolia.com

Crédito: Kenishirotie / Fotolia.com

Essas são algumas das quase 50 histórias inspiradoras relatadas, em primeira pessoa, no Diário de Inovações – iniciativa do portal Porvir, programa do Instituto Inspirare. Na quinta-feira, 15 de outubro, o mapeamento de professores inovadores comemora um ano, exatamente no Dia dos Professores. Segundo Tatiana Klix, editora do Porvir, a ideia da seção partiu da proposta de criar um espaço para que  os próprios professores, a partir de relatos cotidianos, compartilhassem experiências e informações sobre como estão inovando e sendo criativos em suas práticas. “O reconhecimento de práticas inovadoras e criativas nas escolas pode inspirar outros professores”, afirma.

Para participar do Diário de Inovações, professores podem enviar seus depoimentos através do link: http://porvir.org/compartilhe-sua-experiencia-inovadora/ .

Série Formação de Professores

Um outro tema que será destaque no Porvir, com lançamento em 15 de outubro, será a série sobre Formação de Professores. A equipe do portal – uma agência de notícias gratuita, que produz e difunde conteúdo jornalístico sobre inovações em educação – foi a campo para produzir um mapeamento detalhado do tema. A série Formação de Professores vai mostrar desafios, além de relatar como os novos profissionais podem e devem ser formados para exercer um novo papel, de mediadores e designers do aprendizado dos alunos.

Na primeira matéria, Contexto e principais desafios, a série especial traz o perfil de quem escolheu ser professor e quais são os principais desafios encontrados na formação inicial: integração entre teoria e prática, metodologias, tecnologia e avaliação. Vai abordar, também, as diferenças e semelhanças entre os desafios brasileiros e os de outros países. As metas do Plano Nacional de Educação (PNE), a consulta pública da Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica e Novas Diretrizes Curriculares também serão matéria-prima da primeira reportagem do especial.  A segunda matéria, que aborda a necessidade de integrar a teoria e a prática nos cursos que formam professores, traz experiências  de universidades que estão conseguindo fazer isso. Entre os exemplos nacionais: residência pedagógica do Instituto Singularidades; na PUC-SP, o curso de matemática com estudos sobre sequências didáticas que integram teoria estudada com experiências realizadas nas redes; e na Unesp, na licenciatura em Geografia, a criação do grupo que promove trocas entre universitários e professores. O foco do material é a formação inicial.

A terceira matéria aborda como formar professores para o uso da tecnologia e como uso dela está inserido na própria formação dos professores. Em Novas Metodologias, quarta matéria, serão mostradas experiências brasileiras e no exterior de inovações para preparar educadores, que depois poderão replicar novos métodos com seus alunos. A série ainda vai trazer um relato no Diário de Inovações, de um aluno do Singularidades, na Residência Pedagógica. A importância de incluir o tema Neurociência na formação inicial de professores e projetos que trabalham conceitos básicos da temática dão o tom da quinta matéria. Em Avaliação, sexta reportagem, o foco recai sobre como avaliar professores recém-formados e qual seria o modelo de avaliação ideal. Em debate, como fazer com que a avaliação não se torne um mecanismo de punição, mas uma forma de auxiliar o professor. A Base Nacional Comum Curricular e o impacto dela na formação de professores permeia a temática da sétima matéria.

A série contará ainda com artigos opinativos que agregarão outros temas ao debate, como o questionamento sobre o número de  professores formados, quantos efetivamente vão para a sala de aula e qual é a demanda por docentes.

A íntegra dos conteúdos está disponível para a reprodução livre e gratuita pela imprensa, por meio da licença mais aberta do Creative Commons.