Porvir organizará painel no SXSWEdu 2017

19/10/16 //

Boa notícia para quem acredita na importância do papel dos alunos na transformação da educação. O Porvir/Inspirare vai levar essa discussão ao SXSWEdu 2017, um dos maiores eventos sobre inovação em educação do mundo. O encontro entre alunos, professores, empreendedores, gestores e demais atores do setor educacional de todo o mundo acontece entre os dias 6 e 9 de março, em Austin, nos Estados Unidos.

Crédito: DannyMatson/Sxswedu.com

Crédito: DannyMatson/Sxswedu.com

O Porvir foi selecionado para organizar um painel no evento, chamado Students as Education Innovators (Estudantes como Inovadores da Educação), através da ferramenta PanelPicker, que permite e incentiva que a comunidade do SXSWEdu participe da elaboração da programação submetendo propostas ao voto popular. Neste ano,  quase 40 mil votos avaliaram cerca de 1300 seções inscritas para compor a edição de 2017.

A ideia do SXSWEdu é reunir profissionais criativos e incentivar que essa paixão pelo futuro de educar e aprender seja compartilhada. Para que isso aconteça, o evento divide sua programação em apresentações (os chamados Keynotes, designados para inspirar, iluminar e informar), workshops,  fóruns, reuniões, exibições de filmes, entre outros.

A proposta do Porvir é construir, durante o painel, estratégias para engajar estudantes na co-criação e implementação de inovações educacionais. Para isso, será apresentada a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, que ouviu mais de 135 mil jovens de diversos estados do país para entender como gostariam que a escola fosse e como gostam de aprender. A discussão contará com a presença de Mailson Cruz de Aguiar, estudante de 19 anos que participou da construção do questionário da consulta e da análise dos resultados. A inovadora social Bruna Waitman, do Media Education Lab (MEL), vai levar para o debate a experiência na construção e aplicação de uma metodologia de escuta e co-criação em São Miguel dos Campos, em Alagoas, e em uma escola ocupada em Goiânia, em Goiás, disponíveis na plataforma Faz Sentido. A mediação do debate será feita pela diretora do Inspirare, Anna Penido.

Assista ao vídeo da campanha (em inglês):

Jovens querem atividades práticas e tecnologia na escola

06/10/16 //

A pesquisa “Nossa Escola em (Re)Construção” ouviu 132 mil adolescentes e jovens de 13 a 21 anos e mostrou que estudantes de todas as regiões do país desejam uma escola com currículo mais diversificado e flexível, em que se aprende com atividades práticas e tecnologias, em espaços físicos dinâmicos e variados.

Quando analisam a escola que têm, os jovens ouvidos na consulta sentem falta na escola de atividades extraclasse, uso de tecnologia e atividades artísticas. Melhorias na alimentação escolar e nas atividades esportivas também estão no rol das principais necessidades apontadas. Em relação a aulas e materiais pedagógicos, quatro em cada 10 estudantes dizem que estão satisfeitos. O resultado, divulgado no dia 22 de setembro, reafirma a urgência das instituições de ensino reverem suas estratégias.

Crédito: Reprodução

Crédito: Reprodução

Apesar das críticas, os respondentes da pesquisa demonstram que ainda têm um vínculo afetivo com o espaço escolar: 70% deles gostam de estudar em suas escolas e 72% dizem que lá aprendem coisas úteis para sua vida.

Conforme resultados divulgados, quando falam sobre a escola que desejam, os jovens demonstram querer substituir as aulas teóricas e aplicação de provas pela aprendizagem por meio de projetos que envolvem atividades práticas ou resolução de problemas, uso da tecnologia e interação com a comunidade dentro e fora da escola.

Em relação ao currículo, mostram interesse em outros conteúdos além das disciplinas tradicionais, como conhecimentos ligados à tecnologia, habilidades de relacionamento, política, cidadania e direitos humanos, esporte e bem-estar. Também querem poder escolher parte das matérias que vão estudar.

No que diz respeito aos recursos educacionais, acham que vão ser mais felizes e aprender mais com projetos, rodas de conversa e pesquisa na internet. Apontam ainda que uma escola mais inovadora deve ter robótica, programação e games. Os estudantes também propõem mudanças para a sala de aula, trocando-se as carteiras fixas e enfileiradas por móveis e ambientes variados, inclusive com a utilização mais frequentes de espaços externos dentro e fora da escola.

“Nossa Escola em (Re)Construção” é uma iniciativa do portal Porvir, especializado em inovações educacionais, programa do Instituto Inspirare. O estudo foi realizado com a parceria técnica da Rede Conhecimento Social. A pesquisa foi estruturada com base em metodologia chamada PerguntAção, que envolveu os jovens em todas as etapas do processo. O questionário ficou disponível na internet entre 28 de abril a 31 de julho deste ano, para que alunos ou ex-alunos de todo o Brasil pudessem responder às questões formuladas com apoio de um conselho de especialistas e de um grupo de 25 jovens. Os respondentes representam 1.707 municípios de todos os Estados mais o Distrito Federal. A Região sudeste teve a maior proporção de participantes: 85,4%. Os interessados em conhecer os resultados da escuta e realizar iniciativa semelhantes podem ter acesso ao relatório da pesquisa na íntegra e ao questionário em PDF no link (http://porvir.org/nossaescola). São parceiros de disseminação dos resultados a Mova Filmes e a Inketa, que produziram vídeos e uma plataforma virtual para ampliar o acesso dos interessados aos dados da pesquisa.

Porvir vence Prêmio Estácio de Jornalismo

06/10/16 //

A série do Porvir sobre Formação de Professores venceu o Prêmio Estácio de Jornalismo na categoria internet nacional. A premiação foi entregue nesta quinta-feira (6), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

De autoria de Marina Lopes e Vinícius de Oliveira, a série leva o olhar da inovação para um dos principais desafios para melhorar educação brasileira. Na primeira matéria, mostramos o panorama das licenciaturas e o perfil dos concluintes. Na sequência falamos da necessidade de aproximação de teoria e prática e demos oportunidade para que um aluno mostrasse o quão importante é o contato com a sala de aula ainda na universidade.

Assim como discutir a importância da neurociência para que o professor entenda como o aluno aprende,  a série olha para o que acontece fora do país para entender como a tecnologia pode se tornar uma aliada do professor e transformá-lo em um agente de transformação. Trazemos como programa da Teachers College já inclui os temas de impressão 3D e programação em seu currículo. No mesmo sentido, conversamos com responsáveis por programas inovadores em outras três universidades americanas, Harvard, Michigan State e Relay GSE, e a Universidade de Helsinque, na Finlândia,  para descobrir como os cursos estão se adaptando aos novos tempos e revendo suas metodologias.

As duas últimas matérias da série analisam como a Base Nacional Comum Curricular pode ajudar o docente a ter mais clareza sobre o que precisa ensinar e também como outros países já aplicam avaliação que ajudam a aperfeiçoar o trabalho de quem já está na sala de aula e promover o ingresso de novos profissionais na carreira.

Porvir lança guia de infraestrutura de conectividade para gestores

02/08/16 //

Porvir lança nesta terça-feira (2/8) uma nova versão do guia temático Tecnologia da Educação. O material, que já trazia informações sobre por que conectar as escolas à internet e metodologias de ensino que envolvem o uso de teconologia, agora se dedica a orientar as secretarias sobre como planejar a infraestrutura de conectividade para impulsionar o aprendizado dos alunos.

Construído a partir de mais de 60 entrevistas com especialistas e integrantes de governos, empresas e instituições de ensino, o guia Tecnologia na Educação procura responder  quatro perguntas essenciais – “Qual o modelo de conexão?”, “Como distribuir o sinal de internet?”, “Quais equipamentos serão usados?” e “Como será feita a manutenção?” – para construir um mapa de orientações para conectividade.

Crédito: Inketa

Crédito: Inketa

Para que políticas não sejam interrompidas e o trabalho na rede seja consistente, gestores precisam resolver uma equação que envolve os recursos financeiros disponíveis, a infraestrutura já existente e os objetivos pedagógicos. Por isso, o guia traz diferentes decisões e experiências já colocadas em prática por secretarias em todo o país para inspirar novas práticas em outras redes. Para resolver o desafio da conexão da internet, por exemplo, São Paulo e Paraná optam por centralizar a contratação do link de internet de fibra ótica, junto com outros serviços como saúde e segurança, enquanto Alagoas prefere descentralizar, fornecendo recursos diretamente para as escolas. Independente da forma de contratação, o especial chama a atenção para a necessidade de garantir uma velocidade de conexão de pelo menos 10 Megabits por segundo para que seja possível o uso de plataformas digitais mais robustas.

Além da contratação da conexão, o guia mostra as opções para distribuir o sinal de internet na escola e explica o que a transmissão via cabo ou wi-fi possibilitam. Em um caso de escola que tem o sinal de internet sem fio por toda a escola, traz a palavra da diretora da escola Desembargador Amorim Lima, de São Paulo, que oferece conexão sem fio em todas as suas dependências. Na instituição, alunos conseguem subir projetos de vídeos direto para a plataforma pedagógica em questão de segundos, por conta de um link de 100 Mbps de velocidade.

Outro ponto analisado diz respeito aos equipamentos que são usados por professores e alunos. Os computadores desktop, que atualmente dominam os laboratórios de informática, limitam a personalização do ensino, entretanto, até mesmo os dispositivos móveis impõem desafios à escola, como a formação de professores e a administração do uso. Você já deve ter ouvido falar da estratégia de Um Computador por Aluno, certo? Então conheça a iniciativa de Piraí, município do Rio de Janeiro que há sete anos mantém viva uma política pública que permite a cada estudante usar seu próprio notebook educacional durante as aulas.

Para que o plano de conectividade não caia por terra, o material ainda aborda os desafios da manutenção e de como um município como Joinville centraliza o atendimento e usa uma equipe interna para reparar os equipamentos, enquanto redes como a de Pernambuco optam por centralizar a gestão, mas delegam a uma terceirizada o serviço junto às escolas.

Todo esse quadro de opções é materializado com o plano de conectividade de dois estados, Pernambuco (que ainda está em fase preliminar) e São Paulo, que responderam às perguntas enviadas pelo Porvir e ajudaram a criar um raio-X de suas redes.

“Não existe um caminho único para garantir infraestrutura para as escolas usarem a tecnologia com fins pedagógicos. Apesar de cada secretaria ter suas próprias características, mostramos no guia Tecnologia na Educação exemplos de práticas e decisões que podem ser adaptadas em diferentes contextos”, afirma Vinícius de Oliveira, subeditor do Porvir que produziu o material.

O guia temático está disponível no endereço porvir.org/especiais/tecnologia/. Na página, gestores ainda encontram uma tabela para download com as opções a serem consideradas no planejamento de estratégias das redes.

Pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção termina com 135 mil respostas

02/08/16 //

Após três meses, foi oficialmente encerrado hoje o questionário online da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, iniciativa do Porvir e da Rede Conhecimento Social, que teve o objetivo de ouvir o que os  jovens pensam sobre a escola e como gostariam que ela fosse. Com adesão superior às expectativas dos organizadores, a consulta foi respondida por cerca de 135 mil estudantes de 13 a 21 anos de todas as regiões do país.

Crédito: Divulgação

Crédito: Divulgação

A pesquisa foi construída com a metodologia PerguntAção, desenvolvida pela equipe da Rede Conhecimento Social, que tem um caráter de mobilização e envolve o público pesquisado em todas as etapas do processo. O próximo passo da metodologia é a realização de duas oficinas de análise dos resultados, que vão acontecer dentro da programação da Virada Educação, nos dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo. A primeira oficina vai reunir  especialistas em pesquisas que formam o conselho orientador da Nossa Escola em (Re)Construção com estudantes que ajudaram a construir o questionário. No segundo momento, todo o público participante da Virada poderá comparecer à oficina de análise. O objetivo é aprofundar a leitura dos dados quantitativos e humanizar as conclusões.

Os resultados gerais da pesquisa serão divulgados publicamente na primeira quinzena de setembro. Depois disso, serão enviados os relatórios segmentados para redes, escolas e instituições que estimularam os seus estudantes a responderem à consulta, como as redes estaduais de educação de São Paulo e Goiás, o Centro Paula Souza, a Escola Sebrae de Belo Horizonte e o Sinepe/RS (Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul). AppProva, Bett Brasil Educar, Catraca Livre, ClassApp e Geekie também foram parceiros de divulgação da pesquisa.

“O grande número de repostas da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção mostra que os jovens querem ser cada vez mais protagonistas do seu próprio aprendizado e de transformações no sistema de ensino. Esperamos que essa consulta seja o primeiro passo de um processo contínuo de escuta dos jovens”, avalia Tatiana Klix, editora do Porvir.

Porvir publica série de reportagens sobre engajamento familiar

20/06/16 //

Apesar da importância da participação da família ser um consenso entre os profissionais de educação, ainda é difícil colocar esse princípio em prática. Como uma forma de apresentar desafios e caminhos para promover a aproximação entre famílias e escolas, o Porvir, programa do Instituto Inspirare, deu início à série de reportagens Engajamento Familiar.

Lançada no dia 16 de maio, a série reforça a importância da participação familiar e apresenta experiências bem-sucedidas de aproximação entre escolas e responsáveis. São apresentadas referências nacionais e internacionais em diferentes etapas de ensino, além de destacar metodologias que contribuem para melhorar a relação entre ambos.

Crédito: NLshop / Fotolia.com

Crédito: NLshop / Fotolia.com

Na primeira matéria, Aproximação da família com escola apoia o aluno e transforma educação, a série apresenta os principais desafios que cercam a relação família e escola, muitas vezes motivados pela falta de diálogo. Enquanto as instituições afirmam que os pais não se envolvem na educação dos filhos, as famílias dizem que gostariam de participar, mas não encontram espaço dentro da escola. Para educadores e pesquisadores ouvidos pelo Porvir, não existe uma regra geral para aproximar a instituição de ensino e a família, mas cada escola precisa descobrir um modo próprio de fazer essa comunicação acontecer.

A segunda publicação da série traz um artigo sobre como o design thinking promove engajamento familiar para apoiar o aprendizado. Allison Rowland traz sua experiência como doutora residente no programa de Liderança Educacional na Harvard Graduate School of Education, Allison Rowland. Em colaboração com uma ONG norte-americana, ela desenvolveu uma oficina para chamar a atenção para o engajamento familiar como um facilitador no processo de escuta das famílias e resolução de problemas escolares. A atividade envolveu 120 pessoas, entre elas, famílias que falavam seis idiomas diferentes, estudantes do ensino fundamental e médio, além de professores, diretores e membros da comunidade.

A terceira matéria traz recomendações do centro de estudos Harvard Family Research Project, dos Estados Unidos, para diretores, professores e pais participarem dos encontros entre a escola e as famílias de maneira mais efetiva. Já na quarta matéria, são apresentadas experiências dos programas Aprender em Família, do Chile, e Comunidade de Aprendizagem, do Brasil, que investem na formação de famílias como uma estratégia para apoiar o desenvolvimento dos alunos.

As próximas reportagens da série apresentarão dicas e casos de participação familiar por etapa escolar – educação infantil, ensino fundamental e médio. Outra reportagem ainda mostrará como a tecnologia pode facilitar os processos de comunicação entre a escola e pais e responsáveis dos alunos.

Todos os conteúdos podem ser consultados no site do Porvir com a Tag “Série Engajamento Familiar”. Além disso, as reportagens estão disponíveis para a reprodução livre e gratuita pela imprensa, por meio da licença mais aberta do Creative Commons. 

Prazo para participar da pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção vai até 31 de julho

17/06/16 //

O prazo para responder à pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção, que tem  objetivo de ouvir o que jovens pensam da escola e como gostariam que ela fosse, foi prorrogado até o dia 31 de julho. A escuta – promovida pelo Porvir, programa do Instituto Inspirare, em parceria com a Rede Conhecimento Social, realizadora da metodologia PerguntAção – foi lançada no dia 28 de abril e já teve a participação de mais de 20.000 jovens de 13 a 21 anos. Para ampliar ainda mais participação na consulta em todo o país, os alunos agora poderão responder ao questionário durante todo o mês de julho, quando muitos estarão em férias. Só é preciso reservar 20 minutos para responder às perguntas.

Crédito: Regiany Silva

Crédito: Regiany Silva

A pesquisa, disponível neste link, procura entender a percepção dos jovens em relação à escola atual e como eles acham que ela pode estimular mais o seu aprendizado, respeitar suas características individuais, ser inovadora e contribuir com a sua felicidade. A grade curricular, os conteúdos, as metodologias pedagógicas, os recursos usados para ensinar e aprender e o formato das salas de aula também são alvo do estudo. Além disso, a escuta quer saber se há espaço para participação do jovem nas decisões da escola e se eles de fato participam.

Redes de ensino, como a dos estados de Goiás e de São Paulo, já engajaram milhares de estudantes no processo de escuta e reflexão sobre a sua própria educação, e instituições privadas, como a Escola Sebrae de Belo Horizonte e o Sinepe/RS (Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul) também estão incentivando seus alunos a participarem da Nossa Escola em (Re)Construção. AppProva, Bett Brasil Educar, Catraca Livre e Geekie também são parceiros de divulgação da pesquisa.

“Nosso objetivo é mobilizar jovens de todos os perfis, de todas as origens, de todas as condições socioconômicas e de todas as regiões do Brasil a refletir sobre suas experiências de aprendizagem e ajudar a construir uma escola mais conectada à realidade do jovem do século 21″, afirma Larissa Alves, mobilizadora social do Porvir.

Resultados

Os resultados quantitativos da mobilização e a análise das respostas serão divulgados em agosto deste ano. Além dos dados gerais da escuta no Brasil, também será possível analisar as respostas por escola ou organização social/coletivo de jovens com pelo menos 50 participantes.

Os planos oferecidos são os seguintes:

Mais de 50 respostas: relatórios contendo tabelas simples de resultados e banco de dados com as informações da instituição específica;

Mais de 150 respostas: relatórios contendo tabelas simples de resultados e cruzamentos com informações de perfil, gráficos e banco de dados, com as informações da instituição específica.

“A ideia é que o questionário também se torne uma ferramenta para que os professores e as escolas ouçam os seus alunos e promovam debates. Queremos contribuir para que mudanças concretas aconteçam em escolas de todo o Brasil a partir da escuta dos jovens”, explica Tatiana Klix, editora do Porvir.

As instituições que desejem receber resultados segmentados da pesquisa ou apoiar a divulgação e mobilização devem entrar em contato com o Porvir pelo email porvir@porvir.org ou pelo telefone  11 3813-7719 Ramal 19.

Pesquisa mobiliza jovens a pensar na escola dos sonhos

28/04/16 //

O que os jovens pensam da escola e como eles gostariam que ela fosse? Para estimular estudantes de 13 a 21 anos de todos os estados do país a pensar sobre suas experiências de aprendizagem e ouvir seus desejos em relação à educação, foi lançada hoje, dia 28 de abril, o Dia da Educação, a pesquisa Nossa Escola em (Re)Construção. A escuta é uma iniciativa do Porvir, programa do Instituto Inspirare que completa quatro anos na mesma data, em parceria com a Rede Conhecimento Social, realizadora da metodologia PerguntAção, utilizada para a consulta.

“Quando discutimos educação, normalmente consultamos adultos: gestores, diretores, professores, pais. Nossa intenção é dar voz aos alunos e mobilizá-los para que reflitam sobre o seu papel na escola e sobre as características que elas devem ter para promover aprendizado e desenvolvimento com sentido. Queremos entender o que o aluno do século 21 espera da educação”, afirma a diretora do Inspirare, Anna Penido.

questionário online, que estará disponível até o dia 31 de julho, vai perguntar qual é a percepção dos jovens em relação à escola atual e como eles acham que ela pode estimular mais o seu aprendizado, respeitar suas características individuais, ser inovadora e contribuir com a sua felicidade. A grade curricular, os conteúdos, as metodologias pedagógicas, os recursos usados para ensinar e aprender e o formato das salas de aula são alvo do estudo. Além disso, a escuta também quer saber se há espaço para participação do jovem nas decisões da escola e se eles de fato participam.

NOSSA ESCOLA CORTADA

Divulgação

A consulta utiliza a metodologia PerguntAção, que envolve o público pesquisado em todas as etapas do processo, desde a reflexão sobre o tema, a concepção do questionário, a mobilização para a coleta de respostas e a análise dos resultados. A Nossa Escola em (Re)Construção começou a ser concebida em uma oficina de 4 horas com um conselho orientador, formado por profissionais com experiência em educação e processos de escuta de jovens. Fazem parte deste conselho Ana Lúcia Lima, do Instituto Paulo Montenegro, Andrelissa Ruiz, da Fundação Tide Setúbal, Camila Khoury, da AIESEC, Carla Mayumi, da Box 1824 e Talk Inc., Ives Rocha, do CEDAPS, Rosi Rosendo, do IBOPE Inteligência, Marilse Araújo, da Ação Educativa, e Renan Ferreirinha, do Mapa Educação.

Posteriormente, um grupo de 25 jovens de diferentes perfis, das cinco regiões do país, se reuniu em São Paulo, para debater sobre suas escolas, seus anseios e propor as perguntas para o questionário, que depois foi refinado pela equipe do Porvir e da Rede Conhecimento Social e pelo conselho orientador.

“O PerguntAção é um processo de construção participativa de consultas de opinião para gerar mobilização. É diferente de uma pesquisa tradicional porque aqui queremos ter resultados não só no final, mas no próprio processo de elaboração de todas as etapas, gerando muito debate, sempre de forma colaborativa com o próprio público alvo. Quem melhor do que os próprios jovens para dizer o que perguntar para os estudantes sobre a escola dos sonhos?”, diz Marisa Villi, cofundadora da Rede Conhecimento Social.

Dois jovens integrantes do grupo que ajudou a construir a pesquisa e vai mobilizar outros estudantes a refletirem sobre a escola dos sonhos participaram de uma transmissão ao vivo no dia 28 de abril, às 11h, na página do Porvir no Facebook.

Resultados

Os resultados quantitativos da mobilização e a análise das respostas serão divulgados em agosto deste ano. Além dos dados gerais da escuta no Brasil, também será possível analisar as respostas por escola ou organização social/coletivo de jovens com pelo menos 50 participantes. “A ideia é que o questionário também se torne uma ferramenta para que os professores e as escolas ouçam os seus alunos e promovam debates. Nosso sonho é que mudanças concretas aconteçam em escolas de todo o Brasil a partir da escuta dos jovens”, explica Tatiana Klix, editora do Porvir.

São parceiros de divulgação e mobilização da iniciativa o evento Bett Brasil Educar,  o portal Catraca Livre e  as empresas educacionais Geekie e AppProva. Outras instituições que desejem receber resultados parciais da pesquisa ou apoiar a divulgação e mobilização devem entrar em contato com o Porvir pelo email porvir@porvir.org ou pelo telefone  11 3813-7719 Ramal 19.

*Este texto foi atualizado em 17/06/2016, por conta da alteração da data de encerramento da pesquisa para 31/07/2016.

Desafios e caminhos para a formação de professores no Brasil

15/10/15 //

Um bom professor tem um papel fundamental na vida do seu aluno. A decisão sobre como devem ser formados os novos profissionais impacta no projeto educacional de qualquer nação. Com as mudanças constantes nas formas de aprender e ensinar, os cursos de licenciatura devem preparar os futuros professores para dialogarem com a nova realidade da sala de aula, atuando como mediadores e designers de aprendizagem.

- Confira o Raio-x da formação inicial de professores no Brasil

Para estimular o debate sobre a preparação dos novos profissionais, o Porvir aproveita a celebração do Dia dos Professores (15) para lançar a série de reportagens Formação de Professores, que apresenta o cenário atual, desafios e caminhos para a formação inicial no país.

Crédito: luigi giordano / Fotolia.com

De acordo com os dados do Censo da Educação Superior 2013 (último levantamento divulgado), existem 7.900 cursos de licenciatura na área de educação espalhados por todo país. Neste ano, mais de 200 mil alunos foram licenciados (56% pela modalidade presencial e 44% pelo ensino à distância). Porém, especialistas na área apontam que muitos cursos ainda estão bastante distantes da realidade da sala de aula.

Em 2010, ingressaram 392.185 alunos em cursos de licenciatura na área de educação. Após quatro anos, o número de concluintes chegou a 201.011. No ano de 2013, das 990.559 vagas que foram oferecidas, apenas 468.747 foram preenchidas (152.397 em instituições públicas e 316.350 em privadas). Segundo Valeska Maria Fortes de Oliveira, pesquisadora da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e coordenadora do grupo de trabalho de formação de professores da ANPEd (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), a atração de profissionais para o ingresso na carreira docente é um dos primeiros entraves para a formação inicial no país.

A formação é um dos itens que, de acordo com a pesquisadora, integra a chamada condição docente, constituída por carreira, salário e condições de trabalho. “A forma com que se trata o professor é um dos primeiros problemas que hoje enfrentamos para atrair alguém para dar aula no Brasil”, diz Oliveira, ao analisar a necessidade de valorização da carreira.

Leia o artigo “O que explica a falta de professores nas escolas brasileiras?”

O PNE (Plano Nacional de Educação) dedica quatro de suas 20 metas aos professores: prevê formação inicial, formação continuada, valorização do profissional e plano de carreira. Para que se tenha uma dimensão do trabalho que o país tem pela frente, entre os 2,2 milhões de docentes que atuam na educação básica do país, 24% não possuem a formação adequada, conforme dados do Censo Escolar 2014. “Se nós não cuidarmos dos professores da educação básica, estamos fadados a continuar tendo dados educacionais de baixo nível”, afirma a pesquisadora Bernardete Gatti, vice-presidente da Fundação Carlos Chagas.

O cenário contrasta com a meta número 15 do PNE, que prevê que todos os professores da educação básica tenham formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área em que atuam. Para Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a formação inicial no país ainda é muito frágil. “Ela é insuficiente em relação às demandas das próprias leis brasileiras”, afirma. Cara explica que para se aproximar das metas é preciso começar a tratar o plano como prioridade.

Dentro das medidas adotadas no primeiro ano de vigência do PNE, em julho de 2015, foram divulgadas as novas diretrizes para a formação de professores, elaboradas pelo CNE (Conselho Nacional de Educação). O documento aumenta o tempo mínimo de formação para os cursos de licenciatura, que passam de 2.800 para 3.200 horas. Além disso, os cursos deverão contar com mais atividades práticas, aproximando os futuros professores do cotidiano da escola.

Aproximação entre teoria e prática

As novas diretrizes tentam lidar com um dos principais gargalos da formação de professores no país: a articulação entre teoria e prática. Segundo Paula Weiszflog, coordenadora geral de pós-graduação e extensão do Instituto Singularidades, de São Paulo, muitos profissionais saem da universidade com o domínio do conteúdo, mas com pouca base didática. “Ele [professor] chega na sala de aula totalmente despreparado porque não sabe como passar aquele conteúdo que viu”.

Para Miguel Thompson, diretor da mesma instituição, a experiência de alunos na universidade ainda está muito concentrada no lado acadêmico. “Elaborar um paper se tornou mais importante do que fazer um plano de aula. Essa questão tem que ser debatida”, ressalta, ao mencionar que algumas licenciaturas estão formando biólogos, físicos e matemáticos, mas não professores de biologia, física e matemática.

Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, avalia que a situação requer medidas que vão além de ajustes. “Nosso grande problema é fazer uma espécie de revolução na formação de professores”. Segundo a pesquisadora, as licenciaturas não estão estruturadas para formar um professor. “Elas não formam bem nem no conhecimento específico e nem nas didáticas e práticas de ensino necessárias para uma atuação nas escolas”.

Além das questões envolvendo o ambiente universitário, a falta de diálogo com a realidade da escola é outro fator apontado como fonte de dificuldades para os professores recém-formados que ingressam nas redes de ensino. Jorge Carvalho, secretário de Educação do Estado de Sergipe e coordenador do eixo prioritário Planos de Carreiras no Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), diz que durante esse processo habilidades necessárias para a prática docente acabam ficando de lado. “As universidades, de modo geral, estão oferecendo licenciaturas que muito se assemelham a um bacharelado. Elas estão muito preocupadas em formar pesquisadores.” Segundo ele, a sociedade deve fazer um pacto sobre o tipo de professor que se quer formar.

Anna Helena Altenfelder, superintendente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), defende que a formação inicial deve preparar um professor para ser capaz de ler a realidade do seu aluno, ter empatia com a comunidade e, além de dominar os conteúdos, saber como ensinar. No entanto, ela pondera: “Não adianta reformular os currículos dos cursos de pedagogia ou licenciaturas, se a própria postura e concepção dos professores formadores dentro das universidades não mudar.”

Novas metodologias, uso de tecnologia e avaliação

Assim como se fala sobre o uso de novas metodologias na educação básica, as instituições formadoras devem transformar a sua forma de ensinar. “Há uma pedagogia dentro da universidade que precisa ser refeita e aberta. Há formadores fechados, achando que ainda cabe ensinar dentro do modelo que aprenderam”, destaca a pesquisadora Valeska Maria Fortes de Oliveira, da ANPEd, ao mencionar que, para criar referências para o futuro professor, é importante usar a homologia dos processos, ou seja, aplicar na sua formação as mesmas práticas pedagógicas que deverão utilizar com seus alunos.

Confira o especial Tecnologia na Educação 

“O mundo avança rapidamente, e as crianças já nascem com acesso à tecnologia. Essa criança certamente vai exigir uma participação muito maior na sala de aula”, diz Rodolfo Joaquim Pinto da Luz, secretário municipal de Educação de Florianópolis (SC) e membro da diretoria nacional da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação). De acordo com ele, é preciso preparar os futuros professores para atuarem em um novo contexto, onde possam ser mediadores, saibam promover a inclusão de todos os alunos e estejam constantemente atualizados de acordo com uma didática alinhada ao século 21, incluindo até noções de neurociência para compreender como seus alunos aprendem.

Dentro do desafio de preparar os novos professores, a formação também deve incorporar a tecnologia e as novas linguagens. “O professor tem que estar preparado para utilizar, no seu dia a dia, todos os equipamentos que podem oferecer uma aprendizagem diferenciada para os alunos”, defende o dirigente. Mas, diante de todas essas competências e habilidades desejáveis, como saber se os professores formados estão aptos para lidar com a realidade da sala de aula?

Avaliar os professores que estão sendo formados também é um desafio para o país. De acordo com os especialistas na área, a grande questão é criar métricas que não sejam punitivas, mas consigam dar conta de avaliar os novos profissionais e oferecer suporte para o desenvolvimento da sua prática. “A responsabilidade de formar jovens é grande. A nação tem que assumir isso”, destaca Miguel Thompson, do Instituto Singularidades.

Mapeamento de educadores inovadores e série sobre formação de professores são apresentados pelo Porvir

13/10/15 //

 Em Paripiranga, interior da Bahia, o professor José Souza dos Santos propôs aos alunos um diálogo teatral entre o poema de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, e a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos. A encenação foi essencial para trabalhar a oralidade. No município de Marataízes, litoral sul do Espírito Santo, a professora Marlúcia da Silva Souza Brandão levou o funk para o banco dos réus. Um júri popular, no chamado “debate regrado”, avaliou a possível culpa do estilo musical; ao mesmo tempo, alunos compilaram argumentos para escrever um artigo, que posteriormente foi publicado em um blog. Em Londrina, no Paraná, o professor de Física, Eduardo Toshio Nagao, desenvolveu um projeto para ensinar conceitos de velocidade média e leis de Newton via jogo de boliche.

Débora Machry, professora de Ciências no município de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, usa o WhatsApp para incentivar a leitura. Não somente as crianças são o público-alvo de professores interessados em ensinar de maneira diferente; em Porto Alegre, o resgate de memórias mudou o uso de tecnologia na Educação de Jovens e Adultos (EJA). No Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, os professores de música, teatro e cultura digital criaram projetos colaborativos com avatares, de acordo com o relato da professora Clevi Elena Rapkiewicz. Ana Angélica Santos, professora em Diamantina, Minas Gerais, faz pizza e bolo, em plena sala de aula, para explicar conceitos matemáticos como medida, proporção, fração, soma, subtração, multiplicação e divisão. O projeto Cantos Distantes – desenvolvido em Brasília pela professora Maria Verúcia de Souza – incentiva os alunos a escreverem cartas para Cabo Verde; a iniciativa aposta em trocas culturais e gênero textual antigo para desenvolver habilidades de leitura e escrita.

Crédito: Kenishirotie / Fotolia.com

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Essas são algumas das quase 50 histórias inspiradoras relatadas, em primeira pessoa, no Diário de Inovações – iniciativa do portal Porvir, programa do Instituto Inspirare. Na quinta-feira, 15 de outubro, o mapeamento de professores inovadores comemora um ano, exatamente no Dia dos Professores. Segundo Tatiana Klix, editora do Porvir, a ideia da seção partiu da proposta de criar um espaço para que  os próprios professores, a partir de relatos cotidianos, compartilhassem experiências e informações sobre como estão inovando e sendo criativos em suas práticas. “O reconhecimento de práticas inovadoras e criativas nas escolas pode inspirar outros professores”, afirma.

Para participar do Diário de Inovações, professores podem enviar seus depoimentos através do link: http://porvir.org/compartilhe-sua-experiencia-inovadora/ .

Série Formação de Professores

Um outro tema que será destaque no Porvir, com lançamento em 15 de outubro, será a série sobre Formação de Professores. A equipe do portal – uma agência de notícias gratuita, que produz e difunde conteúdo jornalístico sobre inovações em educação – foi a campo para produzir um mapeamento detalhado do tema. A série Formação de Professores vai mostrar desafios, além de relatar como os novos profissionais podem e devem ser formados para exercer um novo papel, de mediadores e designers do aprendizado dos alunos.

Na primeira matéria, Contexto e principais desafios, a série especial traz o perfil de quem escolheu ser professor e quais são os principais desafios encontrados na formação inicial: integração entre teoria e prática, metodologias, tecnologia e avaliação. Vai abordar, também, as diferenças e semelhanças entre os desafios brasileiros e os de outros países. As metas do Plano Nacional de Educação (PNE), a consulta pública da Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica e Novas Diretrizes Curriculares também serão matéria-prima da primeira reportagem do especial.  A segunda matéria, que aborda a necessidade de integrar a teoria e a prática nos cursos que formam professores, traz experiências  de universidades que estão conseguindo fazer isso. Entre os exemplos nacionais: residência pedagógica do Instituto Singularidades; na PUC-SP, o curso de matemática com estudos sobre sequências didáticas que integram teoria estudada com experiências realizadas nas redes; e na Unesp, na licenciatura em Geografia, a criação do grupo que promove trocas entre universitários e professores. O foco do material é a formação inicial.

A terceira matéria aborda como formar professores para o uso da tecnologia e como uso dela está inserido na própria formação dos professores. Em Novas Metodologias, quarta matéria, serão mostradas experiências brasileiras e no exterior de inovações para preparar educadores, que depois poderão replicar novos métodos com seus alunos. A série ainda vai trazer um relato no Diário de Inovações, de um aluno do Singularidades, na Residência Pedagógica. A importância de incluir o tema Neurociência na formação inicial de professores e projetos que trabalham conceitos básicos da temática dão o tom da quinta matéria. Em Avaliação, sexta reportagem, o foco recai sobre como avaliar professores recém-formados e qual seria o modelo de avaliação ideal. Em debate, como fazer com que a avaliação não se torne um mecanismo de punição, mas uma forma de auxiliar o professor. A Base Nacional Comum Curricular e o impacto dela na formação de professores permeia a temática da sétima matéria.

A série contará ainda com artigos opinativos que agregarão outros temas ao debate, como o questionamento sobre o número de  professores formados, quantos efetivamente vão para a sala de aula e qual é a demanda por docentes.

A íntegra dos conteúdos está disponível para a reprodução livre e gratuita pela imprensa, por meio da licença mais aberta do Creative Commons.

Em parceria com Hackademia, Porvir lança vídeos do Diário de Inovações

29/09/15 //

No dia 1º de outubro, o Porvir estreia um novo canal de vídeos, com experiências de educadores mapeados pelo Diário de Inovações. O canal fará parte do Implemento, recém-lançado programa de vídeos online e gratuito sobre inovações em educação, realizado pelo portal Hackademia. Além do Porvir, o programa também é realizado em parceria com o Canal do Ensino, a Educare e a Bett Brasil Educar. O projeto traz toda quinta-feira um novo vídeo de um dos parceiros.

Nas primeiras quintas-feiras de cada mês serão apresentadas experiências inspiradoras realizadas por educadores de várias partes do país, mapeadas com o olhar inovador do Porvir. A seção Diário de Inovações dá voz a quem está na sala de aula e precisa constantemente reinventar o próprio trabalho, mostrando 12 educadores e suas inovações ao redor do Brasil.

Crédito: Divulgação

Além do Porvir, o Implemento traz, nas outras quintas-feiras, vídeos do Congresso Educar 2015, entrevistas com escolas e start-ups que implementaram ferramentas de tecnologia educacional e debates sobre as principais novidades e tendências da educação no século 21.

O Implemento é exibido gratuitamente no portal Hackademia (www.hackademia.com.br). Para ter acesso aos vídeos é preciso fazer a inscrição no próprio site. Cada vídeo é exibido uma única vez, e fica no ar por um mês completo. Os novos episódios são liberados todas as quintas-feiras, conforme calendário de cada canal. No portal do Hackademia é possível visualizar todas as start-ups, escolas, debatedores e pesquisadores que farão parte do programa.

Porvir amplia debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNC) em série de reportagens

25/09/15 //

Um debate recorrente no meio educacional chegou a um momento decisivo. E 16 de setembro, o Ministério da Educação divulgou o documento que vai subsidiar o debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNC). Prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), a base é uma tentativa de definir o que deve ser ensinado no país. Para estimular a discussão da BNC, o Porvir produziu uma série de reportagens que aborda quais são as competências e habilidades que um estudante brasileiro deve ter para navegar com autonomia no século 21.

A equipe do portal – uma agência de notícias gratuita, que produz e difunde conteúdo jornalístico sobre inovações em educação – entrevistou educadores, alunos, especialistas, representantes da sociedade civil e empresários para entender quais são os conhecimentos e competências que as redes de ensino (públicas e privadas) têm a obrigação de garantir, como um direito dos alunos, um pré-requisito para a cidadania plena.

Crédito: eve / Fotolia.com

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Um outro tema que é destaque no Porvir é a chamada pública lançada pelo MEC: Inovação e Criatividade na Educação Básica, que pretende mapear e caracterizar intervenções que acontecem em nível local – iniciativa de escolas, comunidades ou organizações educativas. O objetivo do Ministério é criar bases para uma política pública de fomento à inovação e à criatividade na educação. Dez instituições que poderiam entrar nesse mapeamento foram reconhecidas pela Ashoka e o Instituto Alana como  Escolas Transformadoras, que formam crianças e jovens com potencial de transformação social, para integrarem uma comunidade global de aprendizagem.

Segundo Tatiana Klix, editora do Porvir, o reconhecimento de práticas inovadoras e criativas nas escolas pode inspirar outros professores e gestores públicos. “Esperamos que essas experiências também possam contribuir para a  construção de uma Base Nacional Comum que preveja o desenvolvimento integral dos alunos”, afirmou.

A íntegra dos conteúdos estão disponíveis para a reprodução livre e gratuita pela imprensa, por meio da licença mais aberta do Creative Commons.

Links das reportagens sobre a Base Nacional Comum Curricular

Por Sérgio Pompeu

Base Nacional reacende debate de competências para o século 21

Para MEC, desenvolvimento integral entra só na introdução da Base Curricular 

Discussão sobre Base Nacional Curricular deve focar no aluno 

- Sociedade já pode colaborar com Base Nacional Curricular 

Diminui antagonismo entre preparar para o trabalho e para cidadania

Para alunos e professores, Base deve dialogar com realidade

Sucesso da Base Curricular depende da formação dos professores 

- Base Curricular: argumentos contrários e favoráveis

Porvir lança guia temático Tecnologia na Educação

26/08/15 //

A tecnologia alterou a nossa forma de consumir, produzir, exercer a cidadania e se relacionar. E está, também, mudando a forma de aprender e ensinar. Quando o computador chegou às escolas brasileiras, a proposta era educar para o uso de tecnologias; hoje, usamos a tecnologia para educar. É a tecnologia, inclusive, que vai nos permitir superar três grandes desafios da educação: equidade, qualidade e contemporaneidade. Com a proposta de investigar como a tecnologia está transformando a educação e o que é preciso fazer para universalizar o uso de ferramentas digitais em escolas brasileiras, o Porvir – programa do Instituto Inspirare – apresenta o guia inédito Tecnologia na Educação.

O site foi lançado hoje (26), na Câmara dos Deputados,  em Brasília, no Seminário Escolas Conectadas: equidade e qualidade na educação brasileira, que reuniu cerca de 150 pessoas, entre secretários de educação, deputados, representantes dos ministérios da Educação e de Comunicações.

Especial Tecnologia

Crédito: divulgação

Em cinco capítulos, o guia temático aborda a importância da tecnologia para a educação; os principais recursos tecnológicos usados para ensinar e aprender; como criar a infraestrutura necessária para usar tecnologia nas escolas; quais os exemplos de aplicação de tecnologia na prática – cases inspiradores; e o que está por vir para o futuro da tecnologia na educação, que destaca tendências. No terceiro capítulo, por exemplo, o conteúdo do guia Tecnologia na Educação reúne exemplos de governos e redes de ensino que investem na criação de infraestrutura adequada à tecnologia: internacionais (Estados Unidos e Uruguai); e brasileiras, implementados no Paraná, Amazonas e Ceará. Em “metodologias em sala de aula”, são abordados casos de utilização de tecnologia na escola.

Segundo Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare, a tecnologia não vai resolver todos os problemas educacionais; há a necessidade de mesclar o online e offline, que resulta no ensino híbrido – atividades no computador e experiências/interações presenciais, que são fundamentais à promoção do desenvolvimento de forma integral. “É preciso, também, ter cuidado para que a tecnologia não crie uma versão digital de práticas pedagógicas tradicionais. Não é a mera substituição, mas a oportunidade de fazermos coisas impossíveis; de novas abordagens mais disruptivas para trazer a educação brasileira para o século 21. É disso que estamos tratando no guia Tecnologia na Educação”, detalha Anna.

Na análise trazida pelo guia temático, a tecnologia, assim como tem poder de contribuição, também pode prejudicar – seja gerando dispersão, seja ampliando a desigualdade entre os que têm acesso e os que não. Entre as conclusões está a convicção de que a tecnologia pode transformar a educação quando a infraestrutura adequada é garantida para todos, quando se usam recursos digitais diversificados e qualificados e com uma boa formação de para professores usarem recursos digitais. Para essa transformação, a mobilização da sociedade – especialmente família e alunos – são essenciais. Por isso, no seminário em Brasília,  também foi apresentado a campanha que pede 10 MEGA de Internet nas escolas até 2016, convidando o público a participar e divulgar a ação.

Transformar inova na experiência para discutir futuro da educação

25/08/15 //

Quatro palcos, um espaço com ferramentas tecnológicas para promover o aprendizado e um laboratório maker. Esse foi o cenário, sem paredes, que proporcionou uma experiência inovadora a cerca 900 gestores, educadores, investidores, empreendedores e lideranças sociais que passaram o dia reunidos no Espaço Vila dos Ipês, em São Paulo, nesta terça-feira, na terceira edição do Transformar. Promovido pelo Inspirare/Porvir, Fundação Lemann e Instituto Península, o evento reuniu especialistas e representantes de experiências inovadoras em educação de sete países para debater temas como currículo e transdisciplinaridade, competências para a vida no século 21, conectividade e empreendedorismo em educação.

Para acompanhar a maratona de debates, todos os convidados receberam fones de ouvido e tiveram que fazer escolhas: como tudo acontecia ao mesmo tempo, cada participante pode personalizar sua experiência no encontro. Enquanto em um palco a secretária de educação de Helsinque relatava as mudanças curriculares que estão em curso na Finlândia, em outro ao lado o presidente-executivo do Plano Ceibal, do Uruguai, contava como conseguiu conectar todas as escolas à internet banda larga no país. Ao mesmo tempo, também era possível realizar uma oficina de instrumentos musicais num laboratório de fabricação digital, promovido pelo Programaê! em parceria com o FabLearn, ou aprender sobre ensino híbrido no espaço de experimentação de tecnologias educacionais.

Confira a galeria de fotos do #Transformar2015

“Resolvemos colocar em prática algumas das ideias que defendemos e derrubamos as paredes do nosso evento. A ideia é permitir que vocês tenham mais autonomia e possam aproveitar o evento de forma personalizada”, explicou Anna Penido, diretora do Inspirare, no início do encontro.

Como todos estavam no mesmo ambiente, a interação entre os convidados foi facilitada, e ao longo de todo o dia, muitos aproveitaram para trocar ideias e fazer novos contatos, sem que isso atrapalhasse a dinâmica da programação. Quem queria prestar atenção nas palestras recebia o sinal da transmissão por rádio. Quem preferia fazer uma pausa, podia deixar o fone de lado.

Um dos principais destaques da agenda, a finlandesa Marjo Kyllonen abriu o evento falando das mudanças necessárias no currículo para acompanhar as novas demandas do século 21 e aproximar a escola do mundo real. “Devemos nos concentrar no desenvolvimento da colaboração e de competências sociais para que os alunos se tornem pessoas responsáveis no futuro”. À tarde, quando Kyllonen voltou a outro palco para continuar essa conversa com Nuricel Vilallonga, do Instituto Alpha Lumem, e Jennifer Adams, diretora do departamento de educação de Ottawa, no Canadá, dezenas de perguntas foram encaminhadas a elas sobre o tema.

O movimento maker nas escolas, demonstrado ao vivo no Fablab montado no espaço, foi também abordado por Paulo Blikstein, professor da Escola de Educação e do Departamento de Ciências da Computação de Stanford, em um dos palcos. O brasileiro disse que inovações como laboratórios de criação maker precisam chegar à escola pública para fazer com que o aprendizado faça sentido para o aluno. Além disso, defendeu que a pesquisa acadêmica precisa tratar dos resultados do movimento maker. “Existe um ciclo para compra de um monte de equipamentos, mas todo mundo se esquece de medir o impacto. Essas tecnologias empoeiram e a TV diz que elas não funcionam”, afirmou, explicando que há cinco anos se dedica a isso em Stanford para que o ciclo não se repita.

Transformar 2015

Além de palestras de especialistas, o Transformar 2015 também abriu espaço para que oito professores brasileiros, distribuídos nos quatro palcos simultaneamente,  apresentassem experiências inovadoras com uso de tecnologia em escolas públicas. Em um deles, Eric Rodrigues, da Escola Municipal Emílio Carlos, no Rio de Janeiro (RJ), e Cleide Torres, da Escola Estadual Jardim Riviera, em Santo André (SP), mostraram diferentes realidades para implementação do ensino híbrido, metodologia que combina ensino online e offline. No primeiro caso, um professor motivado em uma escola com infraestrutura deficiente, enquanto no segundo a tecnologia demandou todo um trabalho de apropriação por parte dos professores.

Entre as tendências mais recentes discutidas durante o evento estão as novas formas de avaliação e certificação de aprendizados. O tema foi debatido à tarde, em um palco também muito concorrido, com a presença de Kimberly O’Malley, executiva do grupo Pearson, Nate Otto, diretor da organização de microcredenciais Badge Alliance, e Natacha Costa, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz. Eles relataram iniciativas que dão conta de avaliar e certificar competências como criatividade e trabalho colaborativo. No futuro, disse Otto, diplomas acadêmicos tendem a valer menos, o ensino passará a ser menos linear e, ao invés de um currículo, ganhará importância o portfólio de experiências. Ao falar de badges, representações simbólicas de aprendizado, ele mostrou como na Califórnia já foi criado um tipo de passaporte que acumula os feitos alcançados por alunos em diversas experiências, dentro e fora da escola.

A última palestra, realizada por Geoff Mulgan (leia a entrevista completa), diretor executivo do Nesta (Fundo Nacional para a Ciência, Tecnologia e Artes do Reino Unido), trouxe um panorama das inovações educacionais pelo mundo. Novamente, o palestrante estimulou a interação entre os convidados e provocou a plateia a refletir sobre o que é inovar em educação e se os temas abordados durante todo o dia seriam realmente disruptivos ou apenas modismos. Para ele, a inovação não pode se restringir à educação. “Não precisamos de inovação em educação, mas de um sistema que leve inovação à economia e à sociedade”, concluiu.

Porvir lança mapeamento de experiências de inovação em educação

30/07/15 //

Como a inovação transforma os sistemas e modelos tradicionais de educação na prática? Para responder a essa questão, o Porvir, programa do Instituto Inspirare, coordenou um mapeamento de experiências educacionais e inovação em mais de 30 países. Inédito no Brasil, o levantamento apresentado nesta quinta-feira (30), em São Paulo, resultou na plataforma InnoveEdu, que destaca iniciativas capazes de tornar o aprendizado mais significativo e conectado com as demandas do século 21. O mapeamento foi produzido em parceria com Edsurge (Estados Unidos), Innovation Unit (Reino Unido) e WISE (Catar), organizações com experiência em pesquisa e disseminação de inovações educacionais, que atuam em diferentes países e continentes.

As experiências podem ser acessadas no site InnoveEdu

A plataforma InnoveEdu, com uso inteiramente gratuito, reúne 96 cases nacionais e internacionais. No cerne da iniciativa, o objetivo de reunir experiências educacionais inovadoras que sejam fonte de referência para educadores, formuladores de políticas públicas e empreendedores ao redor do mundo. A proposta é trazer inspiração concreta – por meio de exemplos reais – para que educadores consigam implementar práticas criativas e transformadoras na rotina dos ambientes educacionais.

Porvir

Porvir

A plataforma traz, ainda, cinco tendências que permeiam as experiências educacionais mais inovadoras: as Competências para o século 21 estão relacionadas a um conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e competências que preparam os alunos para a vida acadêmica, profissional, pessoal e em comunidade; a Personalização se refere a estratégias pedagógicas que levam em consideração que os alunos aprendem de formas e em ritmos diferentes; na contramão do ensino tradicional, a Experimentação é representada por metodologias que desenvolvem o aprendizado a partir da prática; com o entendimento de que o aprendizado não acontece apenas dentro da escola, o Uso do Território leva a educação para museus, praças, centros culturais, empresas, clubes e outros locais; as Novas Certificações vão além do ambiente acadêmico e usam cursos online e espaços informais, pois diplomas de etapas de ensino não dão mais conta de comprovar a aquisição de conhecimento.

Segundo Anna Penido, diretora do Inspirare, as tendências apresentadas no InnoveEdu estão interligadas com as demandas do século 21. Iniciativas que personalizam o aprendizado, por exemplo, muitas vezes utilizam metodologias de experimentação. “As evidências mostram que não adianta apenas melhorarmos a qualidade da educação que já fazemos. É preciso buscar formas mais contemporâneas de ensinar e de aprender. As experiências relacionadas no InnoveEdu mostram que esse caminho é possível. Muitas delas já integram mais de uma tendência e promovem o uso cada vez mais inovador das tecnologias”, explica.

A compilação dos 96 casos envolve diferentes regiões do mundo e muitos níveis de atuação – de experiências cotidianas em salas de aula a mudanças em políticas públicas em sistemas de educação. Os temas variam de formas inovadoras de utilizar as tecnologias na educação a novas abordagens pedagógicas. Além de um descritivo detalhado da iniciativa educacional – abordando problema/desafio, soluções e resultados – cada experiência conta com uma ficha técnica com informações adicionais sobre o grau do uso de tecnologia, pessoas impactadas, idade dos beneficiários, fases do projeto e tendências associadas.

“Os modelos tradicionais de educação não respondem mais às demandas da sociedade contemporânea, nem ao perfil dos alunos do século 21. Instituições de todo o mundo estão empenhadas em desenvolver novas formas de aprender e de ensinar. Com o InnoveEdu, buscamos entender como essas inovações acontecem na prática, para inspirar e apoiar gestores, educadores e empreendedores brasileiros. O propósito é fomentar a criação ou adoção de novas soluções educacionais que gerem impactos significativos na vida de cada estudante, independente da sua situação social, econômica, física, emocional ou cognitiva”, afirma a diretora-executiva do Instituto Inspirare.

Entre os 32 países mapeados pelo InnoveEdu estão: África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Bangladesh, Brasil, Burkina Faso, Camarões, Canadá, China, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Gana, Holanda, Índia, Indonésia, Israel, Jordânia, Malawi, Nicarágua, Nova Zelândia, Reino Unido, Senegal, Suécia, Tailândia, Taiwan, Tânzania, Zâmbia e Zimbábue. Alguns projetos têm atuação global. No Brasil, destaque para 15 iniciativas.